Ora, direis, ouvir poetas

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WAGNER RIBEIRO, UM DOS EXPOENTES MÁXIMOS DA POESIA EM SERGIPE
WAGNER RIBEIRO, UM DOS EXPOENTES MÁXIMOS DA POESIA EM SERGIPE

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Publicada em 29/10/2013 às 01:30:00

"Ora, direis, ouvir estrelas!" O famoso verso de Olavo Bilac enche nossos ouvidos e nos faz pensar o que seria do mundo sem os poetas, estes fazedores de sonhos e de dores, de tantas mortes e de tantas partidas.

Mas o poeta "mora a sós num corredor de luas / numa casa de águas", na imagem histiana... e mais além. "O poeta habita as estalagens da loucura". "Navegar é preciso, viver não é preciso". Fernando, que também era Pessoa, caminhou pelos escombros de um Portugal em sombras, conseguiu traduzir para a humanidade o que só a poesia é capaz. E não importa se ele não conheceu ninguém que tivesse levado porrada. Não importa se nem todos foram campeões em tudo. O fato é que ele, o poeta Pessoa, é maior que todos os governos, maior até que o seu Portugal de um Tejo que inspira as grandes almas e que afoga o desastre do esquecimento.

O poeta é um pescador de almas. Não pode ser alienado nem alienígena.
Não pode ter nas mãos uma portaria assinada como razão de vida. O poeta é um maldito ( e é muito bom que assim seja) na imagem de Rimbaud e pode até catar piolhos da cabeça dos amantes e engoli-los, como fazia Jean Genet; pode até, como Allan Poe, urinar nos copos de bebida das hipócritas socialytes, pode ainda ser pedófilo como o próprio Poe; ser iconoclasta como Augusto dos Anjos. Enfim, o poeta pode ser tudo. Porque "o poeta apenas passa", na imagem de Araripe Coutinho. E o poeta não precisa de altares para celebrar as suas dores..

O poeta é um ser participante e participativo da vida cultural de um povo. E o único capaz de dizer com tamanha grandeza que "minha mãe cozinhava batatinhas / feijão roxinho / mas cantava"... lembrando Adélia Prado. Ele, o poeta, não precisa de asas. E é por isso que a socidade (odienta, quase sempre!) se encarrega de suicidar os seus poetas, repetindo Teixeira Coelho. E quantos poetas serão ainda precisos para mostrar ao mundo que "não serei o poeta de um mundo caduco / não distribuirei entorpecentes / nem serei raptado por serafins / o tempo é a minha matéria / o tempo presente / a vida presente os homens presentes", para ressuscitar Drumond.

Essas divagações em torno de um mesmo tema são para dizer que vem aí o I Prêmio Poesia Falada de Aracaju, promoção da Secretaria Municipal de Cultura, através do Departamento de Arte e Cultura, pilotado por Amorosa. Iniciativa merecedora de todos os aplausos. De pé.

Geleia Geral
... Juro. Eu não usaria roupa com logomarca de um refrigerante americano que é líder  do gênero em todo o mundo ocidental, nem sob tortura! Entretanto, tem gente por quem tenho o maior respeito e admiração, que está usando escancaradamente, diante das câmeras. E, acho até, que sem o menor sentimento de culpa. Lamentável.

... Ao noticiarem a partida de Norma Bengell para uma outra dimensão, esqueceram de dizer que ela, além de vedete, atriz e diretora, foi também cantora de bossa-nova. Com voz rouca e sensual. Norma fez shows memoráveis e gravou um elepê antológico. Uma raridade que conservo comigo desde a minha adolescencia.

... Esqueceram também de dizer que Norma Bengell, além de "Os Cafajestes", de Ruy Guerra, fez mais de 60 filmes (no Brasil e na Europa), entre os quais aquele que mais curto: "Há Vagas Para Moças de Fino Trato", de Paulo Thiago, disponível em DVD. E, como cineasta, ele dirigiu, além de "Pagu",  "O Guarany", com Márcio Garcia vivendo o emblemático índio Pery. Como sempre gostou de homens bem mais jovens, Norminha teve um envolvimento amoroso com o guapo rapaz que hoje tem participação especial da novela da nove, "Amor à Vida".

...  Antonio Leite anda eufórico e não é sem razão. Vai trazer a serelepe Elba Ramalho para brilhar no seu bloco Caranguejo Elétrico, no Pré-Caju 2014. Sem dúvida, será um sucesso bombástico a explodir feericamente na avenida.