Nem cinco tijolos de atenção

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 14/11/2013 às 11:55:00

Rádio Patrulha, Batalhão de Coque e Polícia Montada. Cerca de 400 policiais foram deslocados até o bairro 17 de Março, há alguns meses, com o objetivo de cumprir o mandato de reintegração de posse que tomou as casas de centenas de famílias, invasoras que reclamavam o próprio direito à moradia. A operação foi realizada com êxito, apesar dos excessos relatados. O problema dos desabrigados, no entanto, ainda não recebeu nem cinco tijolos de atenção.

Os moradores da invasão do bairro 17 de Março não querem nada além do que lhes foi prometido e continuam aguardando um encontro com representantes da Prefeitura de Aracaju e da Defensoria Pública, a fim de cobrar o repasse de auxilio moradia para as mais de 100 famílias desabrigadas no início do ano. Fatura que ainda sairia barata para o prefeito João Alves Filho, sobre quem pesa a responsabilidade constitucional de levantar um teto sobre as cabeças desamparadas. Sem saneamento básico, segurança e assistência médica, as famílias do 17 de Março permanecem acampadas no bairro, em um espaço onde a Prefeitura pretende construir uma praça.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o déficit habitacional no país é de 7,2 milhões de moradias, com a particularidade de que 28,5% deste índice está concentrado nas regiões metropolitanas. O dado não é novo, foi divulgado pelo Censo há pouco mais de um ano. De qualquer modo, assusta que, escandalosa, a realidade escancarada pelas estatísticas não tenha motivado reação mais robusta da administração pública. Quase cem mil sergipanos vivem em condição subnormal. Nada menos do que 3,98% da população do Estado.

Ninguém vive em condições precárias se tiver alternativa. Os investimentos em infraestrutura não se mostraram suficientes para conter a ocupação desordenada das cidades e a população buscou espaços que eram deixados de lado pela urbanização formal.