Crime de Fátima: "Toinho Toyota" assume a morte de um dos adolescentes

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Publicada em 19/11/2013 às 03:01:00

Começou ontem, no Fórum da Comarca de Laranjeiras (Vale do Cotinguiba), o julgamento do ex-delegado comissionado Antônio Carlos Ferreira de Matos, o 'Toinho Toyota', e de seu ex-informante Wilton Nogueira, o 'Boy', acusados pelos assassinatos de três adolescentes que foram encontrados mortos em junho de 2001 na cidade de Fátima (BA), próximo a Tobias Barreto (Centro-Sul). Os rapazes, que tinham entre 13 e 16 anos, tinham sido executados nos fundos da Delegacia Regional de Itabaiana, onde "Toyota" estava lotado na época. Os réus respondem pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro qualificado e ocultação de cadáver, mas respondem ao processo em liberdade. O julgamento começou por volta das 9h de ontem e não foi concluído até o fechamento desta edição.

O ex-delegado foi interrogado ao final da manhã e, falando ao juiz José Amintas Noronha Júnior, confessou ser culpado pela morte de um dos adolescentes, José Valdemir dos Anjos Júnior, o "Juninho". "Toyota" também apontou 'Boy' como responsável pelas mortes de Carlos Magno Menezes Fernandes e de João Cléverton Matias dos Santos, mas também admitiu ter levado os corpos de Itabaiana até a cidade baiana. "Em relação ao primeiro crime, foi legítima defesa. Em relação aos dois menores, é negativa de autoria, mas ele assume e pede a sua condenação pelo fato de ter feito a ocultação dos cadáveres. Isso, não tem como esconder. E ele não vai esconder", argumentou o advogado de defesa de "Toyota", Evaldo Fernandes Campos. Wilton, por sua vez, foi interrogado no meio da tarde, mas, segundo o advogado Alexandre Porto, também alegou que matou os adolescentes para defender o ex-delegado.

As teses não convencem o promotor Rafael Schwez Kurkowski, responsável pela acusação, que afirma ter provas consistentes da participação dos réus nas três mortes e manteve seu pedido pela aplicação de penas máximas aos réus. Kurkowski explica que, por serem três vítimas, as penas podem ser triplicadas para cada crime, o que renderia até 100 anos de prisão para cada réu, caso a pena máxima seja aceita pelos jurados. O julgamento de 'Boy' e 'Toyota' deveria acontecer em 2011, mas, por decisão de segunda instância, o processo foi transferido da Comarca de Itabaiana para a de Laranjeiras, onde um primeiro julgamento foi marcado e, em seguida, adiado.