Pensando a educação

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Publicada em 29/11/2013 às 15:40:00

* Isaac Roitman

Apesar de avanços nos últimos 15 anos, entre eles a universalização do ensino fundamental, a criação do Fundo de Financiamento da Educação Básica e a expansão de vagas nas universidades públicas, a conquista da qualidade da educação brasileira é ainda um desafio urgente e prioritário que passa necessariamente pela formação inicial e continuada de um novo Professor. Ele não terá como missão principal a transferência de conhecimento. Será um estimulador do processo de aprendizagem. A valorização do docente e as condições adequadas de trabalho são também requisitos obrigatórios para enfrentar esse desafio.

É importante que em todos os níveis da educação, haja uma libertação dos manuais didáticos e que abandonemos as formas convencionais de "transmissão do conhecimento". Essas modificações implicam a adoção e aceitação de novas tecnologias (computadores, softwares, Internet, ferramentas de educação a distância, etc), aliadas ao trabalho do professor e do aluno despertando as capacidades de construção e organização dos conhecimentos.
A educação escolar, em todos os níveis, sempre esteve presa a lugares e tempos determinados: salas de aula, calendário escolar, grade curricular e modelos pedagógicos centrados no Professor. Uma nova concepção pedagógica deve apontar para um conhecimento integrador, a sensação de autoestima, o estímulo permanente à criatividade, a crítica argumentada à iniciativa e, sobretudo, a construção de valores da cidadania: o convívio respeitoso com a diversidade, a solidariedade e o respeito à natureza.

Não menos importante é a introdução de uma gestão profissional no ambiente escolar e a integração da escola com a família. É absolutamente fundamental o estabelecimento de políticas públicas para a educação na primeira infância (de 0 a 6 anos). Um programa de primeira infância de qualidade, principalmente para a população carente, é uma condição necessária para avançarmos em direção a uma sociedade mais educada, igualitária e menos violenta. O anafalbetismo escolar deverá ser um capítulo triste do passado. Atenção especial deve ser dada ao ensino médio que, por ser a etapa final da educação básica, deve não só preparar o estudante para o ensino superior como também para o mundo do trabalho. Ao contrário do que acontece nos estados brasileiros, onde o ensino fundamental é de responsabilidade do município, e o ensino médio, do estado; no Distrito Federal, essas responsabilidades recaem para uma única instância -  Secretaria de Educação do GDF. Esse contexto é favorável no sentido de se implantar uma nova forma de ensino integrador desde a primeira infância ao final do ensino médio. E isso poderá ser um modelo a ser implantado em todo o Brasil por meio da federalização do ensino básico.
Políticas de inclusão ao acesso ao ensino superior devem ser estimuladas. O ensino superior deve proporcionar uma cultura universitária e a introdução de novas pedagogias que reduzam a presença em sala de aulas, a introdução de trabalhos em grupos e aprendizagem por intermédio de temas e problemas.

Os programas de iniciação científica, que têm sido a base para o recrutamento para a pós-graduação, devem ser incentivados. A expansão da  Pós-Graduação (mestrados e doutorados) deve ser harmonizada de acordo com as demandas do país, em curto, médio e longo prazos. Esses cursos devem ter mais flexibilidade, servir de cenário para a formação de lideranças e ser um vetor importante na formação de especialistas com responsabilidade social.

* Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), presidente do Comitê Editorial da Revista Darcy/UnB