Pelo entendimento

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Publicada em 13/06/2012 às 10:54:00

A maior greve da história. Poucos acreditavam que o magistério sergipano levaria as próprias reivindicações até as últimas consequências. Após 57 dias de manifestações, no entanto, não há mais quem questione a disposição dos professores. Se engana quem julga que o fim da paralisação significa o abandono da luta pelo pagamento do piso, conforme determinação da Lei Nacional sancionada pelo então presidente Lula. Espera-se que agora, no entanto, as partes procurem o entendimento.
Após a decisão de voltarem às aulas, pressionados por determinação judicial que impunha o pagamento de multa em caso de resistência, os educadores saíram em cortejo pelas ruas do centro de Aracaju, carregando o caixão do "governo Déda". Uma imagem de apelo inquestionável, que traduz o rancor da categoria, historicamente alinhada ao campo político da esquerda. Um revés completamente indesejável às vésperas de um pleito eleitoral.
Agora, talvez fosse o caso do magistério extrapolar a questão pontual do pagamento do piso para pensar a atividade cotidiana das escolas. A remuneração dos profissionais da educação é apenas um entre tantos problemas que comprometem a qualidade da educação oferecida aos estudantes da rede estadual de ensino. A oferta de turmas, a conservação das escolas e a necessidade de aparelhar os laboratórios com tecnologia adequada para preparar os estudantes para os desafios do mundo contemporâneo são tão importantes quanto a satisfação do profissional na frente do quadro negro.
Certo é que houve intransigência de ambas as partes e que o debate estabelecido, circunscrito à remuneração dos professores, pouco contribuiu para ampliar o entendimento da população a respeito das providências pretendidas pelos profissionais da educação e pelo Governo do Estado para resolver os problemas observados no interior da sala de aula.