Tenente acusado pela "Chacina do Huse" sai da prisão

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Publicada em 22/12/2013 às 03:11:00

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O tenente da Polícia Militar Genilson Alves de Souza, apontado como um dos autores da "Chacina do Huse", ocorrida em 27 de abril de 2012, foi solto na tarde da última quinta-feira e já deixou o Presídio Militar de Aracaju (Presmil). Ele estava preso desde o dia seguinte à chacina, na qual três pacientes foram mortos a tiros dentro do pronto-socorro do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O crime ganhou repercussão nacional e tem como réus, além do tenente, dois irmãos e um sobrinho dele.
A decisão de libertá-lo foi tomada pelos três desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), que julgaram um pedido de habeas-corpus impetrado pelo defensor público Vinícius Menezes Barreto, cujo argumento foi o de que o oficial ainda não foi julgado e pode responder ao processo em liberdade porque tem endereço fixo e não causa nenhum risco à sociedade. Entre os titulares da Câmara, a desembargadora Geni Silveira Schuster declarou-se impedida de atuar no processo, sendo substituída pelo desembargador José dos Anjos.
Genilson foi liberado depois de vários outros recursos impetrados pela defesa e negados sucessivamente em primeira instância e pelo próprio TJSE. Antes, ele havia sido colocado na reserva remunerada, em agosto deste ano, como parte final de um processo administrativo aberto contra ele pelo Comando da Polícia Militar. Já no último dia 2 de dezembro, a juíza da 8ª Vara Criminal de Aracaju, Soraia Gonçalves de Melo, decidiu mandar o tenente a júri popular e pronunciou-o por três crimes de homicídio qualificado.
Com ele, também foram pronunciados o agente socioeducativo Ralph Souza Monteiro, o ex-soldado da PM Jean Alves de Souza (expulso da corporação em janeiro deste ano) e o vigilante Gerson Alves de Souza, respectivamente sobrinho e irmãos do oficial. Os três já haviam sido soltos por habeas-corpus em decisões anteriores e também ganharam o direito de recorrer em liberdade.
Os réus são acusados pelo Ministério Público de terem invadido o hospital e executado os pacientes para vingar a morte do padeiro Jailson Alves de Souza, 32 anos, baleado pelas costas em um tiroteio ocorrido na Avenida Santa Gleide, bairro São Carlos (zona norte). Na ocasião, foram mortos Adalberto Santos Silva, 20 anos, Cledson Silva Santos, 21, e Márcio Alberto Silva Santos, 33, apontados pelos irmãos como participantes do tiroteio. Em um segundo inquérito comprovou a participação de dois dos mortos e de outros dois suspeitos no primeiro crime. Um deles morreu após complicações causadas por um tiro e outro continua preso.