Última Viagem a Vegas

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\"Última Viagem a Vegas\" é a reunião de quatro atores do gabarito
\"Última Viagem a Vegas\" é a reunião de quatro atores do gabarito

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Publicada em 22/12/2013 às 03:16:00

* Anderson Bruno

É um clichezão. De maneira bastante direta, simples e sintética, resumiria assim o filme "Última Viagem a Vegas" (Last Vegas, dir. Jon Turteltalb, EUA, 2013, 105 min).
A reunião de 4 grandes atores do gabarito de Robert De Niro, Michael Douglas, Morgan Freeman e Kevin Kline numa única produção (o que sai com o peso um pouco menor é Kevin Kline, já que os outros três são considerados atores do primeiro escalão hollywoodiano) já é motivo suficiente para se assistí-lo. Porém, isso não significa qualidade quando observamos e acompanhamos a história elaborada no roteiro de Dan Fogelman.
Uma sequência inicial, desde a abertura dos créditos, nos apresenta a seus 4 anfitriões. Ainda numa fase de início de adolescência, são exibidas imagens do quarteto em travessuras numa cabine fotográfica. O preto e branco mais o tom pastel dão um ar nostálgico e de pretérito na fotografia de David Hannings. Junto a eles, a pequena Sophie (Olivia Stuck) completa a quinta ponta dessa estrela fraternal.  58 anos depois há nova apresentação. Desta vez eles são revelados individualmente dentro de suas rotinas e cotidianos. Suas idades também já são um pouco mais avançadas. Mostra-se um vínculo que não foi perdido. Um artifício para tal longevidade na amizade está argumentada na tecnologia em forma de conversa compartilhada em tempo real entre eles numa mesma linha telefônica.  A distância física não atrapalhou a fluidez do contato íntimo. A não ser no ponto de conflito mais forte observado na história, estabelecido na relação entre Billy (Michael Douglas) e Paddy (Robert De Niro). Aquele velho acerto de contas que a gente só vê acontecer nas novelas brasileiras, visto sua longevidade a contar da sua geração até a finalização do conflito. As telenovelas trabalham bastante esse esquema textual. O cinema também trabalha assim, a diferença é que esse longa não possui força original em seu roteiro. Parece um folhetim.
Fica a impressão de uma grande propaganda da cidade de Las Vegas com seus cassinos, dinheiro fácil, mulheres gostosas de montão, luxo, festas, diversões, baladas e etc. Existem momentos ótimos como as do personagem Sam, interpretado por Kevin Kline. Há tempos não se via o ator tão à vontade e com um bom texto cômico. Talvez desde "Um Peixe Chamado Wanda" (EUA/RU, 1988) Mr. Kline não demonstrava tamanha capacidade na arte de fazer rir. Até a personagem de Morgan Freeman se chama 'Archie' (ou Archibald). Mesma alcunha de John Cleese, seu companheiro de cena na cômica produção oitentista.
Outros pontos são extremamente ridículos, como a revelação do conflito entre Billy e Paddy, seus distanciamentos e sua reviravolta. Depois de ter uma extrema decepção com Billy, Paddy - quase que imediatamente - já se comportava como se nada tivesse acontecido. O hiato psíquico e filosófico de Paddy entre esses extremos foi suprimido. Um buraco resolvido de maneira rápida porque o espetáculo não está num roteiro mais bem elaborado. Está no clichê.
Mesmo assim, em diversos momentos o filme diverte. Muito desse feito está na interação dos atores desta vez junto a Diana (Mary Steenburgen); cantora de cassino e quinta ponta da estrela dessa fase senil. A atriz irradia muito boa interpretação, por sinal. Nota-se a 'colônia de férias' que provavelmente deve ter sido à época das filmagens. Divulgação turística da cidade luminosa e reunião estelar emblemática realizada com sucesso por Hollywood!

* Anderson Bruno é crítico audiovisual.