Robert Downey Júnior

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\"EU SÓ ENSAIO ATÉ TER CERTEZA DE QUE NÃO VOU ME MACHUCAR\"
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Publicada em 00/00/0000 às 00:00:00

Foi em 1970 que Robert Downey entregou ao filho, nascido cinco anos antes, um presente insólito: um papel. O primeiro papel de Robert Downey Jr. Como personagem em um mundo inédito, fascinante, de sonhos fabricados. Era o início precoce no cinema. Aos oito anos de idade, o ator mirim foi de novo presenteado pelo pai diretor. Outro papel bem diferente do anterior. Enrolado, trazendo um recheio inusitado: maconha. O primeiro papel do garoto nova-iorquino como personagem, um mundo também desconhecido e atraente, mas doloroso, de pesadelos tóxicos. Era o início precoce no vício.

Estúdios, bastidores, cenários e câmeras viram Robert crescer. Sua formação incluiu até mesmo aulas de balé. Adolescente, marcou presença em comédias assinadas por John Hughes. Adulto, duas disputas ao Oscar: em 1993, por melhor ator graças à personagem magistral de Charles Chaplin em "Chaplin" e em 2004 por roubar a cena do hilário "Trovão Tropical", irreconhecível no papel de um negro.
São mais de 60 filmes em quase 40 anos de carreira, cinco dos quais ele conciliou trabalhos na TV, na série "Ally McBeal". Ele também canta, improvisando covers de canções de Bruce Springstten e The Police.
Tamanha produtividade já impressionaria se Downey Jr. fosse o tipo de astro centrado, disciplinado.

Felizmente, não é. Se a extensa filmografia de Robert é capaz de intimidar o ator veterano mais experiente, sua ficha policial surte igual efeito em qualquer rock star explosivo e desvairado, anárquico, assumidamente maluco-beleza. Dependente químico, por anos alternou estúdios, locações e sets com delegacias, tribunais, prisão, o escambau. Detido por posse ilegal de arma e drogas, peitou ordens judiciais, violou condicionais, foi flagrado dirigindo seu Porsche, bêbado e peladão. Criou constrangimentos para diretores e elencos. Nas filmagens de "US Marshal" foi vigiado por oficial de justiça e companhia de seguros. Sua urina era colhida  e testada de três em três horas para que fosse detectada a possível presença de substâncias ilícitas.

Em 2003, Bob reconheceu seu ponto de saturação. Manter uma carreira estável, a proximidade dos amigos e de Índio,o filho adolescente, reconquistar a confiança de cineastas e produtores: boas razões que pesaram para o adeus definitivo dado às drogas. Durante as filmagens de "Na Companhia do Medo", Downey conheceu Susan Levin. Ele estava se divorciando da  mãe de Índio. Depois de muito xaveco, ele conseguiu conquistar o coração da jovem produtora. Mas só depois de ter prometido de pés juntos, que largaria o vício definitivamente. A reação de um Robert apaixonado veio em forma de canção. Em 2004 foi lançado "The Futurist", único CD do ator, que compôs melodias e escreveu letras para oito baladas com tom folk.

Downey Jr. vem sendo agraciado com todas as honrarias pops dignas de um astro que se firmou na indústria cinematográfica mais competitiva e imprevisível do universo das artes. Cravou sua estrela na calçada da fama, foi medalha de bronze na lista de 2009 da revista Empire que elegeu os 100 sexiest movie stars, virou peça de museu: um clone de cera está ao alcance das fãs no hipervisitado museu de Madame Tussauds.
Entre os 60 filmes que Robert Downey Jr. fez, além dos já citados, vale destacar: "Sherlock Holmes (1 e 2) e "Homem de Ferro" (1 e 2), indiscutíveis sucessos do ator que revelou seus defeitos para o público e para a mídia com o rosto exposto e sem máscaras.   
(Resumo do capítulo 40 do meu livro inédito "101 Ícones do Cinema que Nunca Sairão de Cena")