Jeitinho brasileiro

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Publicada em 16/01/2014 às 14:17:00

Vira e mexe, um novo escândalo varre a República. Junto à inerte indignação motivada pelo deleite midiático dos algozes de plantão, no entanto, quase nada. A impressão de que a corrupção é um mal descolado da realidade, próprio do ar rarefeito dos grandes escalões, costuma ser a única consequência perceptível no dia a dia do populacho. A realidade, entretanto, é bem diferente.
Relatório divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que mais de 4 mil servidores públicos federais foram expulsos devido a acusações de irregularidades cometidas durante o período em que exerceram suas funções. A principal causa é a corrupção.

De acordo com o relatório de punições divulgado pela CGU, de 2003 a 2013 foram aplicadas 4.577 penas contra servidores. Punições diversas, a exemplo de demissão, destituição ou cassação de aposentadoria. Segundo o levantamento, 3.078 servidores foram banidos do serviço público por atos de corrupção; 1.025 acumularam cargos ilegalmente, abandonaram o emprego ou não compareciam para trabalhar com frequência. Os demais casos foram participação societária em empresa privada e negligência.

Não custa lembrar que o Senado aprovou ano passado o projeto de lei que inclui as práticas de corrupção ativa e passiva, concussão, peculato e excesso de exação na lista dos crimes hediondos. A matéria, um golpe na cultura da impunidade que parece vigorar entre os nossos, foi submetida a julgamento na esteira das manifestações de junho, que levaram milhares às ruas. No entanto, há que se combater também o famoso "jeitinho brasileiro". Furar fila, estacionar em local proibido, ultrapassar o sinal fechado não são ações inofensivas. Para perceber isso, não é preciso plebiscito nem passeata.