Nando Reis e o mainstream

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Baladas açucaradas, embalando as novelas da Globo
Baladas açucaradas, embalando as novelas da Globo

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 16/01/2014 às 14:33:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O ar rarefeito do mainstream não está fazendo bem à criatividade e saúde financeira da meia dúzia que o habita. Ou é isso, ou o cantor e compositor Nando Reis caiu de bunda, enfeitiçado por um rabo de saia nas esquinas da Atalaia. Esta semana, o ex-Titãs volta a pisar no palco do teatro Tobias Barreto com o mesmo show apresentado ano passado. Àquela altura, já não trazia muita novidade embaixo do braço. Baladas açucaradas, rimas constrangedoras e uma banda operando em baixa voltagem. Uma aposta segura, agrada meio mundo, mas também há quem não tenha vocação para gado.

Sei - Ninguém lembrava mais de Nando Reis, parecia até que o brother de Cássia Eller tinha partido dessa pra melhor. Isso, até outro dia, quando o ruivo apareceu com um disco novo embaixo do braço. Novo, apenas em termos. O lançamento de Sei (2012) deveria celebrar três décadas de carreira, mas não passou de um investimento seguro na preguiça criativa: Mais do mesmo. Feijão com arroz. Novidade nenhuma.
O mundo gira depressa. Depois de três anos de reclusão, esperava-se que Nando Reis mantivesse o bom senso do ostracismo, ou pelo menos aparecesse com uma beca mais aprumada. As quatorze faixas de Sei, no entanto, depõem contra o rótulo independente adotado pelo artista. São todas tão enjoadinhas quanto o resto das baladas entoadas desde que o baixista pediu as contas aos companheiros dos Titãs (que também poderiam ter pendurado as chuteiras depois de gravar o clássico 'Cabeça Dinossauro') e resolveu se dedicar às trilhas das novelas das oito.

De ousado, somente o esquema montado para distribuir o trabalho. O preço do disco era estabelecido semanalmente, uma média do valor atribuído pelos visitantes do site oficial do cantor, que não pode reclamar da generosidade dos fãs. Na semana em que lançou o disco em Aracaju, Sei podia ser adquirido por míseros dez pilas. Pra mim, nunca valeu nem metade disso.

Vá, por sua conta e risco:
Teatro Tobias Barreto, 17 de janeiro, 21h