Os passos de Edvaldo

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\'Beco dos Cocos\', óleo de Balthazar Góes
\'Beco dos Cocos\', óleo de Balthazar Góes

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Publicada em 22/01/2014 às 00:04:00

Antes mesmo da morte do governador Marcelo Déda, o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) já vinha reclamando da falta de espaço no governo do Estado a partir do momento em que ele deixou o comando da Prefeitura de Aracaju. Apesar de o PCdoB ter duas secretarias importantes no Governo - Finanças, com Jeferson Passos e Comunicação, com Carlos Cauê -, Edvaldo não se sentia representado no governo. Após a posse de Jackson Barreto (PMDB) como governador titular, o ex-prefeito passou a defender que o novo governador deveria rediscutir os termos do acordo acertado com Déda na eleição de 2010 e redefinir o papel de cada partido no grupo.

Da posse de Jackson até agora, ainda não houve espaço sequer para reunir todos os partidos aliados, em função de problemas de agenda, viagens, festas de final de ano e também os desentendimentos entre o senador Antonio Carlos Valadares (PSB) e dirigentes do PT, entre eles o presidente estadual, deputado federal Rogério Carvalho, por conta da saída de Luciano Pimentel da superintendência estadual da Caixa.
Logo após o conflito entre Valadares e Rogério, o senador fez uma viagem de férias. Está prevista uma conversa reservada entre ele e Jackson para esta quinta-feira, mas até o final da tarde de ontem ainda não estava confirmada. Somente após a conversa com Valadares, é que Jackson pretende marcar a reunião com os partidos aliados, inclusive o PCdoB de Edvaldo Nogueira.

O ex-prefeito quer aproveitar o vácuo do confronto entre PSB e PT para ganhar espaço e visibilidade para o seu partido. Com a saída da prefeitura de Aracaju, o PCdoB perdeu força e muitos quadros ficaram sem ter o que fazer inclusive ele. O próprio Edvaldo viu no episódio uma chance de voltar à mídia sem ser para bater boca com os assessores do seu sucessor, o prefeito João Alves Filho (DEM), como vinha ocorrendo até agora.
Primeiro, mandou antigos assessores colocarem o seu nome na mídia como virtual candidato ao senado e depois conseguiu mobilizar a diretoria nacional do PCdoB para uma entrevista coletiva em Aracaju para reafirmar a possibilidade de Edvaldo vir a ser candidato ao Senado.

Como sabe que, prevalecendo a coligação PMDB/PT, caberá ao PT indicar o candidato a senador na chapa de Jackson - que pode ser tanto a viúva de Déda, Eliane Aquino, quanto Rogério Carvalho, o PCdoB quer garantir vantagens para o caso de só houver espaço para candidatura proporcional - deputado federal ou deputado estadual.

Edvaldo também aproveitou a confusão PSB/PT para, reservadamente, discutir a possibilidade de uma aliança preferencial com o PSB em torno de uma eventual candidatura do senador Valadares a governador. Valadares vem conversando muito com o prefeito João Alves e apesar de vir dizendo desde o período da doença de Déda que Jackson era o seu candidato a governador, muitos de seus aliados já pensam na candidatura própria principalmente em função da candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Nas eleições municipais de 2012, Edvaldo foi um dos maiores defensores de que coubesse ao PSB o direito de indicar o candidato do bloco a prefeito de Aracaju, causando constrangimentos a outros aliados. O deputado federal Valadares Filho foi confirmado candidato a prefeito de Aracaju depois de uma operação liderada por Déda e Jackson, e da boa vontade demonstrada por Rogério Carvalho em abdicar da sua candidatura - apesar dela já ter sido aprovada pelo PT. O gesto do PT em 2012, no entanto, parece não ter sido relevante nos entendimentos com o PSB e o PCdoB. Depois da derrota, Edvaldo teve que passar o comando da PMA para João Alves Filho, numa derrota histórica para as forças progressistas do Estado.

Oriundo do movimento estudantil, Edvaldo começou na política partidária no PCdoB, sempre aliado de Jackson, quando se elegeu vereador. Depois se aproximou do PT, conseguiu ser vice-prefeito de Déda em duas oportunidades, se transformou em titular com a renúncia de Déda em 2006 para disputar o governo e, em 2008, diante da grande popularidade do governador, obteve a reeleição. Em 2010, foi responsabilizado pela vitória de João Alves na eleição para o governo do Estado em Aracaju, que acabou se repetindo na eleição municipal de 2012.

Edvaldo está se sentindo isolado e a mobilização em torno da disputa para o Senado é mais uma tentativa de exposição num momento em que o quadro eleitoral ainda está indefinido. E para se aproximar ainda mais do senador Valadares.

Com Jackson
O governador Jackson Barreto recebeu a direção nacional e estadual do Partido Comunista do Brasil (PC do B) nesta terça-feira. Durante o encontro, os representantes da sigla anunciaram a candidatura de Edvaldo Nogueira ao Senado. "Cada partido tem o direito de fazer o seu projeto e caberá à coligação, na hora certa, discutir a política. No momento, o governador quer cuidar da administração. Foi uma honra muito grande receber os dirigentes do PC do B. Não se discutiu apoio, nem se pediu apoio. Foi uma visita para comunicar a candidatura de Edvaldo, nada além disso", disse Jackson.

Candidatura
A candidatura de Edvaldo foi apresentada pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, pela vice-presidente, Luciana Santos e pelo senador Inácio Arruda (Ceará). Na ocasião, Jackson Barreto relembrou sua proximidade com o partido comunista. "Conversamos, trocamos informações sobre a situação política nacional, sobre nosso projeto político. Foi um encontro político e fraternal, dada às relações históricas de companheirismo de Jackson Barreto com os integrantes do PC do B".

Agenda
Nesta quarta-feira, o governador de Sergipe, Jackson Barreto, retoma a agenda de solenidades e assinatura de ordens de serviço no interior do Estado e convida a imprensa e a população sergipana para eventos nos municípios de Aracaju, Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo, no Alto Sertão sergipano. A partir das 9h, no bairro América, zona oeste de Aracaju, Jackson entregará medalhas de honra ao mérito a guardas prisionais.

Sertão
Na sequência, às 15h, o chefe do Executivo estadual seguirá para Nossa Senhora da Glória, município distante 126 km da capital sergipana, onde promove a assinatura da ordem de serviço para pavimentação de ruas do município. Encerrando as ações do dia, Jackson seguirá para Poço Redondo, distante 139 km de Aracaju, onde realiza a assinatura da ordem de serviço que prevê a construção do Campus do Instituto Federal de Sergipe (IFS). Na ocasião, o governador do Estado também entregará máquinas agrícolas à população local.

Saúde
Nos últimos dias, o senador Eduardo Amorim (PSC) vem concedendo inúmeras entrevistas denunciando suposto caos na saúde pública do Estado. Ontem, inclusive, teve audiência com a promotora Euza Missano, do setor de saúde, e propôs uma visita da Comissão de Saúde do Senado ao Huse, além de se oferecer para negociações com o ministério da Saúde. O senador denuncia o caos, mas veta o andamento de projetos importantes para o setor de saúde do Estado na Assembleia Legislativa, onde tem a maioria.
Proredes
O projeto de lei que pede autorização para a contração de R$ 229 milhões para obras, aquisição de bens e serviços, desenvolvimento de estudos e capacitações, através do Proredes - Programa de Fortalecimento das Redes de Inclusão Social e Atenção à Saúde, está engavetado na Assembleia, desde agosto do ano passado, mas sequer entrou na pauta de leitura no Plenário. A justificativa, segundo a presidente Angélica Guimarães (PSC), dada no apagar das luzes em 2013, foi a de que o referido projeto não especifica onde serão gastos os R$ 229 milhões. Portanto, qualquer semelhança com a novela Proinveste não será mera coincidência.

Recursos
Ao contrário do senador Amorim, na quinta-feira, 16, Jackson Barreto desembarcou em Brasília, chamou o deputado federal Rogério Carvalho e foram bater à porta do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Fiz questão de acompanhar o governador a essa visita ao ministro para tratar de mais recursos para Sergipe. Defendo diariamente no Congresso, através das Comissões e discursos, mais recursos para a saúde pública brasileira e, obviamente, sergipana", admitiu Rogério. Proveitosa, a visita ao ministro rendeu a Sergipe um aporte financeiro de R$ 100 milhões, a título de antecipação de receita, além de R$ 5 milhões fixos para aplicação na área.