Dando o sangue pelo Brasil

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Publicada em 05/07/2012 às 15:29:00

Manifestação dos Policiais Federais realizada ontem em todos os Estados do país resume o sentimento do funcionalismo. Embora desempenhem funções indispensáveis ao perfeito funcionamento do aparelho público, eles nem sempre são ouvidos com a atenção merecida quando decidem fazer valer os próprios direitos. O mote do protesto, amparado pelo empenho individual de cada funcionário público, não poderia ser mais oportuno.

 Ninguém exige do Governo Federal um esforço impossível, mas o devido reconhecimento pelo suor empregado parra fazer o país crescer, todo santo dia. Se os policiais federais dão o sangue pelo Brasil, como lembraram ontem, em protestos realizados de ponta a ponta do território nacional, o que dizer do corpo docente de nossas universidades? Em greve há exatos cinquenta dias, os professores da Universidade Federal de Sergipe, por exemplo, reivindicam, além de um merecido reajuste salarial (os vencimentos da categoria permanecem estagnados há dois anos), o fim da terceirização nas instituições de ensino superior, a criação de novos concursos públicos e o aprimoramento da carreira. Uma pauta bastante razoável.

O Comando Nacional de Greve dos servidores públicos federais tem mesmo do que se queixar. Somente com os professores, duas reuniões foram desmarcadas pelo governo nos primeiros 40 dias da greve. Não custa lembrar que os funcionários de pelo menos 50 universidades federais aderiram ao movimento, além da maioria dos Institutos Federais de Ensino tecnológico. Seria a hora das autoridades questionarem quem ganha com tanta intransigência.

O Governo Federal precisa retomar o diálogo com os grevistas. Embora o aparente silêncio que paira sobre o assunto ainda contenha parte dos prejuízos provocados pela insatisfação do funcionalismo, não há razão aparente para subestimar a mobilização. Quando a população perceber que os manifestantes não lutam apenas pelos próprios vencimentos, mas também questionam as prioridades orçamentárias elencadas pelo governo, o caldo pode entornar de vez.