Mesmo com desistências, Mais Médicos mantém calendário

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 13/02/2014 às 09:27:00

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Mesmo com desistências de muitos profissionais, o programa "Mais Médicos", do governo federal, dá continuidade aos novos ciclos de contratações que começam no final de fevereiro, mantendo o calendário para os próximos meses. Até agora, 24 cubanos já deixaram o programa Mais Médicos. Deste total, 22 já haviam sido desligados até a semana passada, por motivos pessoais ou de saúde. Outros três não apareceram para trabalhar e ainda não foram localizados pelo governo.

O chefe de gestão do Ministério da Saúde em Sergipe, Anderson Farias, considerou que o número de desertores do programa é insignificante, frente ao universo de 9.549 médicos participantes do programa no país, dos quais cerca de 7.400 vindos de Cuba. "O Ministério da Saúde encara a situação com naturalidade e vem providenciando as substituições necessárias", informou Anderson. Ele destacou ainda que as desistências não têm relação direta com o programa e que estão sendo motivadas por questões politicas e pessoais.

O caso com maior repercussão foi o da médica cubana Ramona Matos Rodriguez que alegou ter deixado o programa por questões salariais. A médica argumentou ter se sentido enganada ao ficar sabendo que profissionais de outras nacionalidades ganhariam R$ 10 mil, enquanto ela ficaria com US$ 1 mil. Do montante, receberia US$ 400 (cerca de R$ 960) por mês no Brasil, enquanto os outros US$ 600 (R$ 1.450) são enviados para uma conta em Cuba, que poderão ser sacados no fim dos trabalhos. O governo repassa cerca de R$ 10 mil a Opas por cada profissional cubano contratado.

Sobre o assunto, Anderson Farias informou que as relações contratuais foram acertadas entre a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e o governo de Cuba. Ele informou ainda que as desistências não afetarão o programa, que mantém o terceiro ciclo com inicio previsto para o final deste mês. "Na primeira quinzena de março, mais 30 médicos serão incorporados ao programa", informa. Ainda segundo ele, a adesão à iniciativa cresceu entre os municípios. "Na primeira etapa menos da metade das prefeituras participaram. Agora, cerca de 80% aderiram", revela o representante.

O terceiro ciclo do "Mais Médicos" contará com a atuação de 2.891 profissionais. O grupo é formado por 891 médicos selecionados por meio de inscrições individuais e dois mil médicos cubanos provenientes da cooperação com a Opas, chamados para preencher as vagas não ocupadas por candidatos brasileiros e demais estrangeiros nos municípios com IDH baixo e muito baixo ou com 20% ou mais da população em situação de extrema pobreza.

Sergipe já conta com 78 profissionais do programa Mais Médicos. Desse total, 57 são cubanos, 19 brasileiros e dois intercambistas (brasileiros que estudaram fora do país). Os médicos estão distribuídos nos municípios de Aracaju, São Cristóvão, Capela, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Socorro, Pirambu, Santo Amaro das Brotas, Arauá, Boquim, Cristinápolis, Santa Luzia, Estância, Umbaúba, Carira, Macambira, Nossa Senhora Aparecida, Lagarto, Simão Dias, Tobias Barreto, Gararu, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Aquidabã, Brejo Grande, Cedro de São João, Pacatuba, Ilha das Flores, Propriá e Japoatã.