Presidente da Comissão de Anistia defende vigilância para evitar volta de repressão

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Publicada em 05/07/2012 às 16:30:00

Ivan Richard
Agência Brasil

Brasília - O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, disse ontem, no seminário sobre a Operação Condor iniciado na Câmara dos Deputados, que a sociedade precisa estar sempre vigilante e buscar entender as causas e o funcionamento das ditaduras para evitar que momentos de repressão da ordem democrática voltem a ocorrer. De acordo com Abrão, apesar do atual momento de estabilidade, um eventual movimento internacional poderia reacender o estigma da repressão.

Segundo ele, as ditaduras ocorridas na América Latina foram resultado, entre outros aspectos, de um mundo em meio à Guerra Fria, que visava à desconstrução e o extermínio dos movimentos de esquerda.

 "As ditaduras no continente latino-americano são resultado do mesmo movimento da Guerra Fria. Não partir dessa origem, é ignorar que o contexto internacional condiciona o contexto nacional. Se hoje vivemos uma estabilidade democrática, com alternância de poder de grupos distintos, o fato real é que independentemente das nossas concepções internas, um movimento internacional pode contaminar os Estados. Precisamos construir fortalezas para evitar que isso ocorra novamente", argumentou Abrão.
O Seminário Internacional sobre a Operação Condor debaterá até hoje (5) vários aspectos relativos à histórica operação político-militar ocorrida no Brasil, na Argentina, no Paraguai, Uruguai e no Chile na década de 1960.

Articulada pelos governos militares do Brasil, da Argentina, do Chile, Paraguai e do Uruguai, com o apoio do governo norte-americano, a Operação Condor tinha como objetivo coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras e eliminar líderes de esquerda instalados nos seis países do Cone Sul.