Rian Santos
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Junho deixou saudades. Músicos de quilates variados, ‘influencers’ influenciados por espelhos opacos, jovens com a bota de grife coberta de lama ainda derramam beats e bytes de saudades, atestam o sucesso do Forró Caju.
A julgar por tudo o que se diz nas esquinas das redes sociais, os santos de junho jamais viram festa tão bonita. De acordo com a Prefeitura da capital sergipana, promotora do arrasta pé, mais de 50 mil pessoas compareceram à praça de eventos Hilton Lopes, entre os mercados centrais, no dia de São Pedro. O prefeito Edvaldo Nogueira não é nenhum santo, mas também comemorou.
“As pessoas estavam dispersas, distantes, o Forró Caju as uniu”.
Edvaldo está coberto de razão. Frouxo como sou, no entanto, tomo o caminho oposto, fujo para as montanhas da convivência doméstica, ergo barricadas, tenho o cu na mão. A sanfona de Mestrinho e Cobra Verde comovem o mais bruto dos brutos. Mas a pandemia ainda não acabou.
Quem vê as fotos do Forró Caju talvez se espante com os dados divulgados com preguiça notável, por hábito e obrigação, pelo noticiário, mas a Covid ainda mata centenas de pessoas no Brasil, diariamente. Só na última quarta-feira foram registrados 294 óbitos. A tendência de alta no número de casos é confirmada um dia depois do outro, sem choro nem vela. A cobertura vacinal, ao contrário, estancou.
O Forró Caju reuniu 50 mil pessoas desmascaradas pela alegria e a satisfação de se apertar e se perder num mar de gente, tirar um sarro, tomar banho de chuva e cerveja, dançar forró, sem medo de ser feliz. Nada mais justo. Quem tropeçou no vírus, como eu, apesar do imunizante e todas as doses de reforço correndo nas veias, entretanto, ainda treme de pavor ao entrar no supermercado e dar de cara com o sorriso amarelo dos incautos. Pra lá dos 40, lembro que só os diamantes são eternos. Mas os jovens acreditam piamente na fagulha breve das próprias bijuterias.
Um mar de gente – Um encontro para ficar na memória, digno do retorno da maior festa do estado, assim será lembrado o último dia do Forró Caju, festa promovida pela Prefeitura de Aracaju. No dia de São Pedro, a praça de eventos Hilton Lopes ficou lotada com mais de 50 mil pessoas matando a saudade dos festejos juninos com os shows de Zé Tramela, Nattan, Adelmário Coelho, Jonas Esticado e Xand Avião.
A banda aracajuana Zé Tramela abriu a noite no melhor estilo, fazendo todo o público dançar com show repleto de clássicos do forró como “Tareco e Mariola” e “Onde está você?”, uma celebração aos mais de 15 anos do grupo.
“É a valorização da prata da casa. Para nós, tem uma importância tamanha, são quase 16 anos de banda, e a gente está sempre marcando presença no Forró Caju, no palco Luiz Gonzaga. É um evento com uma programação muito bacana e disputada. Com certeza, hoje, é o dia, provavelmente, com a maior lotação, então, estamos muito felizes, de verdade”, conta o vocalista Tuka Velloz.
Tocando pela primeira vez no projeto, o cantor cearense Nattan mostrou o motivo por estar sendo considerado um fenômeno da música nordestina, apresentando músicas como “Morena”, “Storiezinho”,
“”Arrasta para cima”, “Revoada” e “Com você ou sem”, fez da praça Hilton Lopes um grande coral, com dezenas de milhares de pessoas cantando em uma só voz os seus hits.
“Como eu aconteci na pandemia, essa foi minha primeira experiência de show no São João. Para quem começou tocando para seis pessoas, hoje, a gente pode colocar vários zeros nesta conta. Só posso mostrar gratidão por esse tanto de gente que estava com uma animação gigante”, explica Nattan.
O entusiasmo do público seguiu com o show do cantor Adelmário Coelho, veterano no Forró Caju, que adicionou mais uma noite inesquecível à sua trajetória de décadas, tocando canções que já foram imortalizadas na cultura nordestina, tais quais “Confidência”, “O Neném”, “Procurando tu”, e “Meu mel”, e compartilhando o palco Luiz Gonzaga com o prefeito Edvaldo Nogueira, que tocou zambumba na faixa “Boi de carro”.
“É uma alegria muito grande voltar, depois de dois anos, para um projeto extraordinário, um dos maiores do Nordeste. Estou muito feliz de poder reencontrar o meu público dessa cidade que me recebe com muito carinho. Quero parabenizar a Prefeitura, na pessoa do prefeito Edvaldo Nogueira, um forrozeiro que sabe o valor que tem a nossa cultura. Parabéns por um projeto tão bacana como o Forró Caju”, aponta Adelmário.
A penúltima atração da noite, o cantor Jonas Esticado, subiu ao palco Luiz Gonzaga já na madrugada de quinta-feira, 30, e encontrou um público sem o menor de sinal de cansaço, o que combinou perfeitamente com sua performance, que fez a galera pular, dançar e se emocionar com músicas como “Bloqueado”, “Investe em mim”, “Ele não tem”, “Fazendo falta” e “Carta branca”.
“Estou muito feliz de estar de volta à Aracaju, em mais uma edição do Forró Caju, ainda mais depois de quase dois anos sem fazer shows. É incrível poder estar de volta e encontrar essa galera que sempre me tratou com carinho e respeito”, afirma Jonas.
Coube ao cantor Xand Avião, uma das atrações mais aguardadas dos seis dias de evento, fechar a festa com chave de ouro. Ele mostrou o motivo de tanta expectativa, enfileirando sucessos de sua carreira, fazendo, definitivamente, que toda a espera tenha feito sentido, e com que o reencontro do público com a maior festa do estado seja inesquecível para a multidão que se fez presente. (Com PMA)


