A campanha do ex-governador João Alves Filho (DEM) acendeu o sinal amarelo pela primeira vez em todo o processo eleitoral e passou a jogar mal. Eles iniciaram a campanha como se João já estivesse eleito e consideravam a Prefeitura de Aracaju como o primeiro passo para a retomada do poder no Estado.
João ainda tem uma folgada liderança, mas passou a enxergar um adversário pelo retrovisor e não parece demonstrar reação, a não ser ações judiciais tentando negar o seu passado e, principalmente, a postura complexa do seu candidato a vice-prefeito, José Carlos Machado PSDB), um especulador questionado inclusive entre os empresários da construção civil.
Machado, por sinal, foi o pivô do primeiro momento crítico da campanha de João Alves. Ele não quer pagar IPTU das suas glebas de terras na Zona de Expansão de Aracaju e questionou a legalidade da Prefeitura de Aracaju em efetuar a cobrança, alegando que a área pertence ao município de São Cristóvão. A Prefeitura de Aracaju teve que se defender e a polêmica será definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). É muito estranho que um candidato a vice-prefeito, que se apresenta aos empresários na hora de captação de recursos como prefeito efetivo a partir de 2014, queira restringir o crescimento da cidade que se propõe a administrar.
João Alves atravessou os últimos dois anos em campanha para a Prefeitura de Aracaju, estimulado pela pequena vitória obtida contra o governador Marcelo Déda, em 2010. Não tinha adversários, o bloco governista não tinha um candidato nato e parecia completamente dividido. A opção feita pelo deputado federal Valadares Filho (PSB) parecia temerária em função da sua pouca idade, falta de experiência e pouco contato com as bases petistas.
Na campanha eleitoral, Valadares Filho acabou surpreendendo principalmente os adversários: tem uma comunicação fácil, disposição para o trabalho, soube montar uma boa equipe de marketing e tem poder de persuasão entre os aliados. Os 25 pontos nas pesquisas obtidos no final de agosto eram previstos por sua equipe apenas para meados de setembro. João Alves parece já ter batido no teto, o que estimula seus aliados a prever um acirrado segundo turno.
Publicamente, a campanha de João Alves continua esbanjando otimismo, mas não é isso que se vê nos bastidores. José Carlos Machado foi barrado no programa eleitoral e não apareceu nem mesmo para dar explicações sobre a polêmica em torno da Zona de Expansão, e a senadora Maria do Carmo Alves foi escalada para tentar apagar o fogo na região. Quase diariamente, ela vem se reunindo com moradores do Mosqueiro, Aruana, Robalo, Areia Branca e outras áreas para dizer que Machado não quer devolver a área para São Cristóvão, apenas para não pagar imposto.
A grandiloquência demonstrada pela campanha de João Alves, exibindo obras dos 12 anos como governador, quatro como prefeito biônico da capital e cinco como ministro do interior, pode não ser suficiente para garantir uma boa discussão sobre o futuro de Aracaju. Na sexta-feira, por exemplo, a campanha passou a exibir propagandas da ponte Joel Silveira, que liga Aracaju a Itaporanga, como se fosse uma das suas obras. A ponte, como se sabe, foi inaugurada pelo ex-presidente Lula no final do primeiro governo Marcelo Déda.
Os recursos de uma prefeitura como Aracaju, principalmente quando os milionários vão a Justiça para não pagar impostos, como ocorre no caso do candidato a vice-prefeito José Carlos Machado, são suficientes apenas para a manutenção regular dos serviços públicos. Não há milagres.
De cara
Os irmãos Amorim perceberam o momento crítico da campanha de João Alves Filho e prometem engajamento total na campanha do ex-governador a partir desta segunda-feira. Querem inclusive espaços na coordenação da campanha e participação no horário eleitoral.
Entusiasmo
Enquanto a coordenação de João Alves monta estratégias para o reordenamento da campanha, o senador Valadares, pai de Valadares Filho, é só entusiasmo. Acha que a principal meta desse momento da campanha, a garantia do segundo turno, já foi assegurada. "Eles acenderam a luz vermelha. Só não haverá segundo turno se ocorrer um grave acidente de percurso", entende o senador, acostumado a embates duros e disputas acirradas.
Exemplo
A campanha eleitoral de 1986, quando Valadares foi eleito governador, é emblemática. Ele saiu do traço para a vitória contra um candidato que tinha quase 60% nas pesquisas no início do processo
Empatia
O senador destaca a empatia de Valadares Filho com o eleitorado. "Durante as caminhadas da campanha, ele deixa claro que manterá um contato direto com o povo. E Aracaju está precisando disso".
Audiências
Valadares lembra que em seu governo criou um programa de audiências públicas, quando atendia diretamente as reivindicações da população. "Era um sucesso e as reivindicações possíveis eram atendidas imediatamente. Mesmo que o pedido fosse impossível, o cidadão saia satisfeito com o atendimento e com o contato direto com o governador", destaca.
Comparação
Hoje até mesmo vereadores, deputados e lideranças políticas reclamam das dificuldades por uma audiência com o prefeito Edvaldo Nogueira e com o governador Marcelo Déda. Em seu primeiro governo, Déda mandava ordens para os secretários via e-mail, o que provocava muitas reclamações.
Carinho
O último prefeito de Aracaju que mantinha um contato estreito com a população foi o atual vice-governador Jackson Barreto. Marcelo Déda fez gestões realizadoras, da mesma forma que Edvaldo Nogueira. Mas longe do povo. "O povo quer obras, serviços, mas acima de tudo carinho, quer a presença direta do seu prefeito, do seu vereador", ensina Jackson Barreto.
Transparência
O portal do Tribunal de Contas do Estado na internet não é nada transparente em relação às suas questões internas. Mas na sua página, por exemplo, dá para saber o que cada deputado estadual faz com os R$ 950 mil anuais a que têm direito para distribuir com entidades consideradas de "utilidade pública". É comum ver deputados que destinam R$ 30 mil e até R$ 50 mil para entidades devidamente reconhecidas pela sociedade, e o restante para entidades suspeitas, muitas vezes controladas por seus cabos eleitorais.
Bolada
A expectativa é de que a partir do próximo ano cada deputado possa destinar suas dotações até o valor de R$ 3,5 milhões, um prêmio de loteria.
Conselheiro
A Assembleia Legislativa recebe até o dia 15 as inscrições para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Mas não há prazo determinado para que a votação aconteça em plenário. A prerrogativa é da presidente, deputada Angélica Guimarães (PSC), ela própria interessada numa das vagas. Por enquanto só foi apresentado o nome do atual secretário da Educação, Belivaldo Chagas.
Nomes
A deputada Susana Azevedo (PSC) mais uma vez vai concorrer à vaga, o que ocorre desde que o seu pai, Tertuliano Azevedo, se aposentou da função no TCE. Ela parece achar que a função de conselheiro do TCE é hereditária. Um conselheiro julga as contas dos políticos e administradores que exercem cargos públicos e tendem a apresentar votos de acordo com a conveniência eleitoral do seu grupo.
Políticos
Atualmente três políticos ocupam vagas de conselheiro: Reinaldo Moura, Ulices Andrade e Luiz Augusto Ribeiro. O primeiro é pai do deputado federal André Moura, que controla prefeituras no litoral norte; Ulices é pai do deputado estadual Jeferson Andrade e tem sob o seu comando prefeituras de municípios do sertão, inclusive Canindé do São Francisco, dono do mais cobiçado orçamento do Estado; Luiz é pai do deputado estadual Gustinho Ribeiro e tem participação direta na administração do município de Lagarto.
Jogo
A indicação de políticos para cargos em tribunais de contas não é uma exclusividade do Estado de Sergipe. Há pouco tempo, a então deputada federal Ana Arraes, mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), foi indicada ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), o órgão responsável pela análise das contas do governo federal, inclusive dos convênios com Estados e municípios.
Resolução
A direção nacional do PT baixou resolução orientando petistas a ingressar na Justiça contra candidatos de partidos aliados que usem as imagens da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Será uma guerra.


