Em entrevista ao JORNAL DO DIA, o deputado federal e candidato a prefeito de Aracaju pelo PPS, Almeida Lima, rechaça quem diz que sua estratégia política foi errada e lembra que em 12 de setembro do ano passado, em artigo, delineou as bases, os fundamentos de um novo projeto político pelo qual iria lutar e está lutando e lamenta não ter encontrado aliados.
Almeida lamenta que a sociedade tenha se esquivado em debater com os candidatos um programa de governo, a vida publica e privada dos candidatos e as ideias com as quais pretendem governar. "Povo que elege governante corrupto não é um povo vítima, é um povo cúmplice. Mas nessa eleição a culpa pela falta de debate honesto e esclarecedor não é, apenas, das pessoas individualmente, pois a omissão é da sociedade organizada. É da imprensa, das igrejas, dos sindicatos, das universidades, da OAB, dos movimentos populares, dos empresários".
Leia a integra da entrevista com o candidato Almeida Lima.
Jornal do Dia – Quando confirmou a sua candidatura a prefeito de Aracaju, o senhor esperava tantas dificuldades?
Almeida Lima – Dificuldades de ordem material eu as encaro com normalidade, e elas são comuns. As dificuldades que eu não esperava, confesso, não são minhas, mas da sociedade em compreender, aceitar e participar do debate que propus. Um debate mais do que necessário quando se vai eleger um presidente, governador ou prefeito. A vida pública e privada dos candidatos e as ideias com as quais pretendem governar devem ser debatidas e resultar claras para toda a população. Isso é feito em todo país civilizado e de gente esclarecida. O contrário é atirar no escuro, e isso não é eleição, é farsa. Um povo que não faz esse tipo de debate é um povo pobre de espírito e está condenado a conviver sempre com governos medíocres e corruptos. Está condenado a continuar sofrendo. Lamento que a sociedade embora brade por governantes honestos, não que discutir a honestidade dos candidatos.
JD – As pesquisas estimam que o senhor terá um baixo percentual de votos, a sua estratégia de campanha foi equivocada?
Almeida – De forma alguma. Fiz o que havia planejado, o que havia imposto a mim mesmo. Faria tudo de novo e continuarei a fazer não, apenas, nessa eleição, mas pela vida política inteira que terei pela frente. Nada do que fiz foi de forma atabalhoada. Lembrem-se que em 12 de setembro do ano passado em artigo (Uma Nova Ordem Política – http://www.consultnews.com.br/blog_post.asp?post=62&c=3) eu delineei as bases, os fundamentos de um novo projeto político pelo qual iria lutar e estou lutando. Uma Nova Ordem Política é um projeto político novo. Não encontrei aliados, mas espero reunir, embora tenho consciência das dificuldades, pois alguns dos fundamentos são obstáculos para muita gente. É preciso, por exemplo, renunciar a esse passado que fracassou, mas que hoje se apresenta dizendo-se ser a solução, bem assim, a essa candidatura que diz representar a renovação, quando ela é a síntese eloquente da obra O Leopardo, de GIUSEPPE TOMASI Di LAMPEDUSA, expressada na frase "renovar para continuar como está". Essa candidatura da "renovação" é a da "Quinta Coluna" que sempre atrapalhou um projeto progressista, de esquerda, em Sergipe, e espero que um dia percebam isso. Acredito até que esse dia está bem próximo.
JD – Nos últimos dias, o senhor vem criticando eleitores que não veem defeitos em seus adversários. Essa não seria uma estratégia que pode criar ainda mais dificuldades para a sua campanha?
Almeida – Para quem tem projetos imediatistas e eleitoreiros, sim. Para quem é político carreirista, sim. Mas para quem faz política por idealismo, não! Uma Nova Ordem precisa ser edificada em cima de verdades. As verdades doem, mas são necessárias. A realidade é que precisamos de uma sociedade estabelecida em novas bases. Estou cansado de conviver e de ver o acumpliciamento da sociedade com os governos corruptos e perdulários. Povo que elege governante corrupto não é um povo vítima, é um povo cúmplice.
Mas nessa eleição a culpa pela falta de debate honesto e esclarecedor não é, apenas, das pessoas individualmente, pois a omissão é da sociedade organizada. É da imprensa, das igrejas, dos sindicatos, das universidades, da OAB, dos movimentos populares, dos empresários. Todos deveriam participar, debater, manifestar-se publicamente. Assumir posições. Mas apesar da responsabilidade que todos esses segmentos têm, omitiram-se nesse processo. Depois não terão legitimidade para criticar nada. Eu me refiro à elite que dirige, que tem a palavra. Padres e Pastores diante de seus rebanhos estão sendo omissos, a imprensa diante de seus leitores, os professores, diante de seus alunos, enfim, a universidade, os intelectuais, os empresários, as entidades de classe.
JD – O PPS colaborou com a sua campanha? Há espaço para o senhor continuar no partido juntamente com Nilson Lima?
Almeida – Claro que o PPS colaborou, e o meu espaço, que é vasto, é dentro do PPS. Nessa campanha eu cuidei e estou cuidando de coisas grandiosas. Não haverá espaço para o varejo, para o menor.
JD – O senhor pode realmente retirar a sua candidatura a poucos dias do pleito? Isso não poderia provocar um grande prejuízo eleitoral para campanhas futuras?
Almeida – Sim, é possível. Não faço essa avaliação e não me preocupam as campanhas futuras. Preocupa-me um projeto, não campanhas e eleições.
JD – O senhor pode deixar a vida pública ou, passadas essas eleições, já estaria se preparando para tentar renovar o seu mandato de deputado federal em 2014?
Almeida – Nem uma coisa nem outra. Não deixarei a vida pública, nem me preparo para renovar esse mandato de deputado federal. Não estou com nenhum projeto eleitoral em vista. O meu projeto é político.
JD – A falta de alianças nestas eleições foi fator decisivo para a sua campanha?
Almeida – Alianças são importantes, mas não a qualquer preço. Dessa forma, antes só do que mal acompanhado.

