Kátia Azevedo
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Dezenas de famílias do bairro Coqueiral, zona norte de Aracaju, interditaram o trânsito na cabeceira da ponte que liga a capital ao município de Nossa Senhora do Socorro durante a manhã de ontem. O objetivo foi cobrar da Prefeitura de Aracaju a liberação de casas construídas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Os manifestantes queimaram pneus e a pista ficou coberta de fumaça.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar o fogo. Agentes de trânsito e policiais militares estiveram no local numa tentativa de negociar com as famílias a liberação da via, que só aconteceu no inicio da tarde.
Por causa dos protestos, o tráfego ficou inviável e os motoristas foram orientados a desviar o caminho pelo bairro Lamarão. De acordo com os manifestantes as casas seriam entregues no dia 10 de agosto. "O prazo acabou e a prefeitura não cumpriu o termo que tinha assinado com a gente e agora ninguém pode garantir que vai entregar as casas depois da eleição", disse a dona de casa Elisângela Ramos Barreto.
Segundo as famílias, a prefeitura teria prometido entregar os imóveis toda sexta-feira. "Mas já se passaram duas semanas e isso não aconteceu", reclama Elisângela.
O secretário municipal da Assistência Social e Cidadania, Bosco Rollemberg, também esteve no local e conversou com os manifestantes. Ele explicou às famílias que a empresa responsável pelas obras desistiu do contrato e que a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehop) está buscando uma solução jurídica para resolver o problema.
"Como se trata de uma obra pública temos que seguir os trâmites legais e assim como as demais casas, estas só serão entregues totalmente reparadas. Estamos buscando uma solução tranquila e com base jurídica para que o compromisso de entregar, no mínimo, 20 casas por semana seja retomado o mais rápido possível", garantiu o secretário.
A empresa que desistiu da obra era responsável por pequenos reparos e instalação final de equipamentos, que foram retirados das casas quando permaneceram fechadas para serem entregues às famílias.
Depredação – A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Semasc) informou que as casas foram depredadas no mês de maio, e por isso foi contratada uma empresa para realizar os reparos. Ainda segundo o órgão, os imóveis serão entregues à medida que a Cehop concluir o serviço. Ainda de acordo com a Semasc, até o momento já foram entregues 162 casas.
O bairro possui 277 casas, construídas com recursos do PAC. A prefeitura já entregou cerca de 90 imóveis. "Na última reunião que tivemos com a prefeitura, ficamos sabendo que vai ter nova licitação, porque a empresa que estava fazendo os reparos nas casas tinha abandonado a obra", conta Maria Lúcia Gomes.
Ela disse que a notícia surpreendeu as famílias e trouxe angústia para a comunidade. "A gente fez um cadastro e está esperando com ansiedade a entrega da casa. Tem gente como eu que já luta há quinze anos por uma cada e essa é a nossa esperança de ter uma moradia", resume. Na próxima terça-feira, às 9h, haverá reunião entre a comunidade e a prefeitura para tratar o assunto.


