Gabriel Damásio
Ao falar sobre o esquema de segurança das eleições municipais deste ano, o governador interino Jackson Barreto classificou o pleito deste ano como "um dos mais violentos" dos últimos anos no interior do estado, e acusou diretamente o empresário Edvan Amorim, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de usar policiais da ativa e da reserva para montar "milícias armadas" a seu serviço. "Nunca tivemos um pleito eleitoral tão conturbado no interior, tanto pelo número de municípios que pediram reforço de tropas federais, quanto pela presença ostensiva das polícias Civil Militar e Federal", disse o governador.
Para Jackson, os últimos casos de agressões e atentados envolvendo cabos eleitorais envolviendo diversas cidades, como Itabaiana, Capela, Lagarto, Umbaúba e Brejo Grande, foram provocados pelos supostos grupos ligados a Amorim, aos quais o governador ligou à ações de "militares reformados, armados até os dentes, dinheiro e tentativas de obstrução do direito democrático de votar". "Foram policiais militares que estavam de forma ativa e ostensiva usando de violência no interior, amedrontando as pessoas, pressionando e coagindo", completou o vice.
O comando da PM confirmou que, pelo menos dois militares chegaram a ser detidos por se envolver em campanhas eleitorais, mas em Aracaju. Um sargento foi flagrado transportando irregularmente eleitores e um soldado estava fazendo boca-de-urna. Os dois militares, que estavam armados, foram presos em flagrante e podem ser até expulsos da corporação.
Jackson assegurou que deu ordens expressas ao comandante da Polícia Militar, coronel Maurício Iunes, para que puna duramente os policiais que estiverem envolvidos em práticas de intimidação dos eleitores e outros incidentes no interior. Segundo o governador, alguns militares da ativa chegaram a ser detidos no Presídio Militar (Presmil) por descumprirem ordens do comando para não se envolverem diretamente na campanha.
Tais ordens foram expressas em uma portaria da Secretaria da Segurança Pública e em um decreto publicado no Boletim Geral Ostensivo (BGO) da PM. "A ação da Polícia tem sido benéfica, o comandante Iunes tem sido duro e a ordem do governador é restabelecer a ordem a qualquer preço", assegurou.
Resposta – Em declaração dada ao Portal Infonet, ontem à tarde, Edvan Amorim reagiu com força à acusação feita por Jackson Barreto, afirmando que ela é um "factóide" criado "para justificar a falta de segurança no Estado". "Ele é um governador fuleiro, que precisa renovar conceitos. Temos um bom secretário de segurança, um bom comandante na Polícia Militar, mas não têm condições de trabalho e o governador em exercício, ao invés de trabalhar para melhorar as condições do povo, fica criando factóides", disparou o empresário. Mais comedido, o senador Eduardo Amorim (PSC), irmão de Edvan, considerou "infelizes" as afirmações do interino.


