Milton Alves Júnior
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Em decorrência da falta de chuva no sertão sergipano, alimentos tradicionalmente cultivados no estado estão registrando a cada semana uma inflação na caixa dos produtos. O quilo do tomate, por exemplo, em alguns supermercados de Aracaju é comercializado por R$ 5. Já no Mercado Albano Franco, ou na Central de Abastecimento da capital (Ceasa), a depender da qualidade e origem o produto não é encontrado por menos de R$ 3,50. Segundo informações repassadas por feirantes, esse foi o quinto final de semana consecutivo que o tomate se tornou o vilão da cesta básica.
Com uma clientela reduzida, a comerciante Marinalva dos Santos disse rezar diariamente para que a produção no estado possa registrar uma melhora. Para ela, a atual tabela de preços é a mais cara dos últimos dez anos. "Lembro de um passado não muito distante que o quilo do tomate, da cebola e da batata não passavam de R$ 2, e isso nas épocas de seca. Hoje, tem feira livre que está vendendo ao mesmo preço dos supermercados. As vendas caíram e nós estamos nos prejudicando financeiramente", disse. Outro produto que apresentou vasta elevação no valor foi a farinha.
Para o consumidor Paulo Rodrigues, o único jeito de não deixar esses alimentos faltarem na mesa é comprar em menor quantidade. "Se antes eu comprava três quilos de farinha, hoje eu só compro um e meio. A batata também não é diferente, desde o início desse ano que por semana eu só compro dois quilos do produto, antes eram quatro ou cinco", disse. Questionado se esses altos valores estão prejudicando a renda mensal da família, Rodrigues informou que uma planilha foi produzida para não gastar mais, ou sem necessidade.
"Tenho três crianças em casa, e a batatinha é um dos produtos mais desejados por elas. Tentei mudar para outros vegetais como abóbora ou batata doce, mas não houve jeito. Como percebemos que os preços não possuem perspectiva para redução, a única maneira é comprar menos", pontuou. Outros produtos que tiveram os preços reajustados foram o abacaxi que passou de R$ 2,50 para R$ 2,80; a pinha que agora sai duas por R$ 5, na semana passada elas eram revendidas três por R$ 5; e o morango que era revendida em dezembro em média por R$2, e agora a caixa não é encontrada por menos de R$ 4,50.
Já a uva italiana sem caroço que há 15 dias era vendida por R$ 6,50 o quilo, caiu para R$ 5,70 em alguns estabelecimentos. Apesar da variação de valores, o Mercado Albano Franco e a Ceasa ainda para alguns clientes são considerados os locais com os preços ‘menos salgados’. "Realmente os preços estão mais altos, mas aqui ainda é um local bom para gastar menos e contar com um produto fresquinho. Apesar das facilidades de pagamento nos supermercados, os valores nesses estabelecimentos chegam a ser exorbitantes", disse a consumidora Rosângela Vieira.


