Em nome da lei

Não foi jogo de cena, nem fogo de palha. A recente determinação do governador Marcelo Déda vem sendo cumprida à risca, em respeito às responsabilidades legais dos entes públicos, no intuito de evitar aqui a repetição da tragédia ocorrida em Santa Catarina. Mais de um mês após o acidente na Boate Kiss, o Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBM), em parceria com a Defesa Civil do Estado e Município, informou na manhã de ontem que as vistorias a boates, casas de shows e igrejas continuarão sendo realizadas no próximo mês de março.

Para não prejudicar as investigações, não foi informado quando nem quais serão os próximos estabelecimentos a serem vistoriados. O certo é que na Grande Aracaju mais seis casas noturnas estão na mira da força-tarefa, e nos demais municípios sergipanos, outras 10 podem ser averiguadas até o fim da primeira quinzena de março.
A tragédia de Santa Maria foi um alerta muito contundente. Desde então, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil já interditaram 24 estabelecimentos e notificaram 11 igrejas – 16 em Aracaju, duas em Itabaiana, três em Lagarto, dois no município de Itabaianinha e um em Tobias Barreto.
Segundo dados do Corpo de Bombeiros, os problemas encontrados são sempre os mesmos. Falta tudo, de atestado de regularidade a extintores de incêndio. As casas interditadas não possuem saídas de emergência nem itens de segurança fundamentais, a exemplo de iluminação de emergência e sinalização de rota de fuga.

O cumprimento da lei não comporta radicalismo. Se os corpos carbonizados nos sul do país não traduzirem um argumento capaz de suplantar o apego a conveniências de proprietários e frequentadores diretamente afetados pela ação determinada pelo Governo do Estado, nada mais o fará.

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