Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Embora se prestem a veículo de fórmulas morais arcaicas, os ditados populares sobrevivem graças a uma capacidade de síntese que mata qualquer poeta de inveja. Quem já viu um show de Alex Sant’anna sabe que o compositor não se mistura com porcos. Apesar de não possuir uma banda fixa, as pérolas atiradas do palco contam sempre com a colaboração de alguns dos músicos mais tarimbados da cidade.
Eu sou devoto da poesia que conduz as composições de Alex, um admirador declarado. Para dar a César o que lhe pertence, contudo, é preciso sublinhar também a competência de seus pares. Na última oportunidade em que assisti uma apresentação do barrigudinho, por exemplo, o guitarrista Luiz Oliva mostrou com quantos paus se faz uma jangada. Nunca vi tanta alegria amarrada em seis cordas. Fez gosto.
Esta semana, Alex se apresenta no Tio Maneco e convidou Léo Airplane (teclados) e Betinho Caixa D’água (percussão) pra segurar a onda. No repertório, mais ou menos o de sempre, como o próprio cantor detalha. "As músicas dos últimos EPs, algumas do primeiro disco e uma composição nova. Também vai rolar Tom Zé, Jeneci e Cássia Eller, canções que eu nunca toquei antes".
Esperto. Em time que está ganhando não se mexe. Melodias simples, sustentadas por frases curtas que partem de um vocabulário ordinário para conciliar as intenções do verbo com a poética do compositor. É só isso o que a gente espera de Alex.
Tio Maneco apresenta Alex Sant’anna
14 de março
(quinta-feira), 20h


