Milton Alves Júnior
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Será apresentado na próxima semana o jovem Daniel Manuleke, acusado de praticar estupro a vulnerável há um mês durante um retiro evangélico na Chácara João XXIII, município de Salgado. Garantindo que Manuleke não está foragido da justiça sergipana, o advogado Aurélio Belém, responsável pela causa, disse que a apresentação pode ser feita na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública, em Aracaju, ou na delegacia do município de Boquim. Investigado pelo Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), o acusado deixou o estado de Sergipe para evitar possíveis agressões.
Criticando a atuação da polícia, Belém afirmou que tem convicção que o cliente não cometeu nenhum crime, e que a SSP deveria se preocupar mais em ‘caçar os bandidos’. "Olhando assim até sinto um prestígio porque aparenta que em nosso estado não tem marginal, sequestrador e traficante. O Daniel não está foragido, é tanto que assim que assumi a causa, afirmei que ele seria apresentado tranquilamente o mais rápido possível", declarou. Por decisão da família de Manuleke, o advogado Max de Carvalho Amaral deixou a causa para que Aurélio passasse a atuar no processo.
Com um novo jeito de advogar, a esperança da família é que o resultado da sentença seja logo revelado. Ainda de acordo com Belém, um estudo detalhado do processo está sendo realizado para ser apresentado à justiça no mesmo dia em que Daniel for entregue à justiça. "Sabemos que essa acusação é falsa e que estamos no caminho certo. Vamos continuar trabalhando duro para que logo em breve toda a realidade venha à tona e que meu cliente possa voltar a sua respectiva vida normal", pontuou. Para não comprometer o trabalho de defesa, a data de entrega, e a cidade onde o acusado se encontra nesse momento, também não foram divulgados.
Contestando as declarações de Belém, a DAGV garante que todo o trabalho de investigação continuará sendo realizado sem nenhuma das delegadas envolvidas no inquérito se manifestar até que o jovem seja detido. De acordo com a assessoria de comunicação da SSP, o laudo oficial emitido pela direção do Instituto Médico Legal é claro e comprova que de fato houve a prática do estupro. Para o departamento policial, Aurélio Belém com esse pronunciamento tenta conturbar e desqualificar o inquérito policial.
Corrupção – Ao tomar conhecimento da existência de uma gravação onde o advogado Max de Carvalho Amaral teria recebido uma proposta de propina para esquecer o caso, por parte de Máximo Selem, que defende a suposta vítima, a delegada da 1ª Delegacia Metropolitana, Maria Zulnária, deu início a um inquérito policial para investigar o suposto crime de extorsão. Durante o diálogo foi sugerido o pagamento de R$ 300 mil para que o caso fosse ‘abafado’.
Ciente da tentativa de suborno, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB), Carlos Augusto Monteiro, declarou ser explícito o crime de extorsão envolvendo o caso do advogado que defende a menina vítima de abuso sexual. Uma denúncia formal foi encaminhada ontem para o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem com o intuito que seja instaurado um procedimento disciplinar. Segundo o presidente da OAB, essa investigação poderá resultar na suspensão do direito do exercício profissional.


