PROTESTO CONTRA PASTOR DA CDHM

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

"André Moura foi o pivô para toda essa banalidade, para o início do retrocesso. Temos vergonha de ter um representante como ele na Câmara dos DeputadoS". Foi assim que representantes de comunidades defensoras dos homossexuais, negros e mulheres definiram a atitude do parlamentar sergipano que propôs o nome do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Polêmico, Feliciano que assumiu a pasta em Brasília há pouco mais de um mês, está sendo julgado em todos os estados como machista, racista e homofóbico.

Reunidos na Praça Fausto Cardoso, em Aracaju, os manifestantes expuseram faixas, cartazes, e pronunciaram frases de ordem a favor da renúncia do cargo por parte do pastor. De acordo com Marcelo Lima, presidente da Associação de Defesa dos Homossexuais de Sergipe (ADHONS), todo o trabalho desenvolvido contra a homofobia está ‘indo na contra mão’. "Com tanto trabalho e sacrifício, conseguimos registrar alguns avanços, mas vem ‘Seu André’, apóia Feliciano e contribui para essa situação lamentável. Agora, ele vem querer nos receber pra se justificar. O que Moura fez é injustificável", declarou.

Após reunião, os manifestantes ocuparam parte dos calçadões da Laranjeiras e João Pessoa e contaram com aproximadamente 50 participantes. Ainda de acordo com o presidente da ADHONS, o senador Eduardo Amorim deveria intervir e apoiar a população nessa luta. "Feliciano feriu a honra dos homossexuais, negros e mulheres, e para a nossa indignação, o sergipano Amorim preferiu se omitir e deixar os brasileiros em segundo plano", pontuou Marcelo Lima. Na próxima terça-feira, 26, André Moura terá uma reunião com Marco Feliciano para discutir a possibilidade de uma renúncia.

A convite da Prefeitura de Canindé do São Francisco, Feliciano desembarcou na manhã de ontem no aeroporto da capital sergipana e preferiu não conceder entrevista à imprensa. Recebido por membros da Associação de Pastores, o convidado foi direto para um hotel na Orla de Atalaia onde só saiu de lá por volta das 16h para realizar um show evangélico em homenagem ao aniversário de Canindé.

Segundo Paulo Victor Melo, representante da Comunidade de Defesa dos Direitos Humanos, o convite feito pela administração municipal foi ‘um tiro no pé’. Para ele, ao contratar Feliciano para um show, o estado está denegrindo a respectiva imagem perante o Brasil. "É manchar a nossa honra país afora. Esse pastor que diz promover o Show da Vida, na realidade é um cidadão que claramente vai contra o progresso do nosso povo e usa a bíblia como escudo. É lamentável saber que ele é contra a união civil de homossexuais e ao direito de igualdade trabalhista entre homens e mulheres", afirmou.

Nota – Através de nota oficial emitida pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Canindé do São Francisco ao JORNAL DO DIA, foi informado que em virtude de uma Lei Municipal, a administração foi obrigada a realizar o show evangélico. Mesmo sem se esforçar para que o evento de fato fosse promovido, o Pastor Heleno informou que, temendo uma série de manifestações na cidade, diante da presença de Marco Feliciano, várias reuniões foram realizadas com a Associação de Pastores para alterar a programação. Apesar dos encontros, os representantes da associação, únicos responsáveis pela programação, decidiram manter o convite a Feliciano e se comprometeram em realizar a segurança do convidado enquanto o mesmo estiver em terras sergipanas.

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