Calor intenso prejudica criação de frangos

Cândida Oliveira

O forte calor do último mês matou 90 mil frangos nas granjas sergipanas. O montante equivale a aproximadamente 5% de todas as aves que estão nas granjas do Estado. Mesmo com ventilação e nebulização, a temperatura alta tem causado a mortandade. O setor de avicultura considera um quantitativo alto, para uma margem de lucro pequena.

Segundo o sócio proprietário da Granja Asa Branca e secretário da Associação Sergipana de Avicultura, Ricardo Vilas Boas Rezende, o último verão castigou o setor da avicultura sergipana e caso a temperatura continue alta, a mortandade deve permanecer.

De acordo com Ricardo, o frango criado nas granjas sergipanas tem perdido em desempenho, pois com o calor, o animal não se alimenta bem. Com temperatura amena, em 45 dias o frango pesa em média 2,7Kg. Durante o verão, no mesmo período pesa apenas 2,3Kg. "Dessa forma, o frango fica mais tempo no galpão para atingir o peso ideal de abate, e ficando mais tempo que o necessário os problemas só aumentam. Ficando confinado o risco de morte próximo do abate é maior", explica ele.

A temperatura ideal para criar aves é de 22º. Acima de 28º eles já começam a apresentar dificuldade em se alimentar e consequentemente, morrem. Como rotineiramente a temperatura em Sergipe tem sido elevada, a fim de tentar diminuir a mortandade as granjas investem em climatização, instalando ventiladores e nebulizadores. "Não resolve nosso problema em 100%, mas ameniza", diz Ricardo. Quando questionado sobre a refrigeração, Ricardo diz que o investimento é alto. "Ar condicionado dentro das granjas é economicamente inviável", informa.

Em todo o estado há granjas, mas elas se concentram em sua maioria nas cidades de São Cristóvão, Itaporanga D’Ajuda, Salgado, Lagarto e Estância. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Cristóvão, Maria do Carmo, assegurou que mesmo com o aumento de morte de aves nas granjas, a situação não gerou demissões de trabalhadores. "Temos conhecimento da dificuldade do setor, no entanto o problema por enquanto não ocasionou demissões", relata.

Aumento no preço – Com frango mais tempo dentro das granjas para ganhar peso, os empresários veem seus custos aumentar, com as despesas em energia e alimentação. Esse avanço é repassado para o consumidor, que viu os preços do quilo do frango subirem entre 5% e 7%.

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