Milton Alves Júnior
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Com palavras de ordem e reivindicando redução na tarifa do transporte público da Grande Aracaju, centenas de pessoas se reuniram na tarde de ontem e promoveram o 4º ‘Acorda Aracaju’. Insatisfeitos com uma possível falta de diálogo entre a administração municipal e os manifestantes, os jovens garantiram que vão continuar causando transtornos no trânsito da capital sergipana. Além da redução na tarifa do transporte, a pauta de reivindicações é composta ainda por melhorias na saúde, segurança e educação pública. No final do mês de maio os vereadores votaram a favor do reajuste de 8,8%. Já na semana passada, pressionados pelos manifestantes, os mesmos 17 vereadores que formam o grupo de apoio ao prefeito João Alves Filho (DEM), decidiram reduzir a tarifa de R$ 2,45, para os atuais R$ 2,35.
Mais uma vez prejudicando o fluxo de veículos nas principais ruas e avenidas da capital, os manifestantes, muitos deles encapuzados, bloqueavam o acesso de veículos em vias paralelas às avenidas e contribuíram para um caos ainda maior em pleno horário considerado de pico. De acordo com o funcionário público Jean Monteiro, o chefe do executivo municipal e os vereadores que o apoiam são os principais responsáveis por todas as mobilizações. "Ele é rude, cínico e completamente contra as vontades do povo. Com uma campanha enganosa conseguiu reviver das cinzas e está aí, incrivelmente dando as costas mais que Edvaldo que passou dois anos sem aumentar a passagem do coletivo", disse.
Acompanhada por policiais do Grupamento Tático Aéreo (GTA), e agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), a caminhada seguiu de forma pacífica em direção ao Centro Administrativo Aloísio Campos pelas avenidas Barão de Maruim, Desembargador Maynard e Rio de Janeiro. Segundo o ciclista Thiago Cardoso, manifestar em frente à sede da prefeitura é a melhor maneira de reivindicar os direitos dos usuários do transporte público. "Acho que nosso movimento até estava seguindo conforme todos imaginavam, mas o João, que diz fazer tudo pelo povo, garantiu semana passada que não vai baixar o valor da tarifa. Essa foi a gota d’água para o povo continuar nas ruas. Essa tabela apresentada pela SMTT é uma vergonha".
Ao chegarem à prefeitura, os manifestantes foram recepcionados de longe por Guardas Municipais e agentes da Tropa de Choque. Apesar do clima ordeiro, um manifestante foi detido por policiais disfarçados que participaram integralmente da caminhada. Segundo informações repassadas pelo capitão da Policia Militar, Fábio Machado, o acusado estava mascarado e arremessando pedras contra o patrimônio público. "A policia está atuando conforme é de responsabilidade da corporação. É bom deixar claro que não somos contra nenhuma manifestação, mas o que nós, nem a maioria dos brasileiros admitimos são os atos de vandalismo. Sempre que uma desordem desse tipo for registrada, iremos atuar conforme exige a nossa ética profissional".
Contrário a qualquer tipo de vandalismo, Demétrio Varjão, um dos representantes do ‘Movimento Não Pago’, disse que a ideia da manifestação é protestar de forma pacífica contra um possível governo ditatorial do prefeito João Alves Filho. Questionado quanto ao futuro do ato, Varjão garantiu ao JORNAL DO DIA que as marchas públicas vão continuar até que seja revogada a Lei Municipal que reajustou a tarifa. "Desde o mês de maio nós estamos nos reunindo e expondo a nossa indignação com esse reajuste concedido por 17 vereadores e sancionado pelo prefeito. Essa nossa luta não é apenas por fazer manifestações, e sim por serviços públicos de melhor qualidade. Sergipe acordou para um futuro melhor para todos".
DIA – Após rápida mobilização em frente à prefeitura, os manifestantes seguiram pela avenida São João Batista em direção ao viaduto que fica nas intermediações do terminal de integração do Distrito Industrial de Aracaju (DIA). Com o auxílio de carro de som, o grupo realizou uma assembleia extraordinária e queimou uma catraca e seis lixeiras. "Entendemos que nossos ideais estão sendo pleiteados com responsabilidade e isso é o mais importante. Hoje, tivemos uma manifestação tranquila em sua maioria do tempo e a meta é essa, continuar na rua, mas sem baderna", alegou a estudante Tatiana Soares. O ato também foi vistoriado por agentes da Rádio Patrulha e o Grupamento Especial Tático de Motos (Getam).
Em comum acordo, ficou decidido que a próxima mobilização será realizada na próxima sexta-feira, 05. O ponto de concentração mais vez será na Praça Fausto Cardoso, em frente à sede do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), a partir das 15h.


