Rian Santos
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São largas, as portas da tentação. A imagem evocada pelas autoridades religiosas com o objetivo de fustigar a imaginação infantil dos crentes também pode se prestar, com nitidez impressionante, aos dilemas capitais da criação artística. O verdadeiro autor é sempre um homem solitário, disposto a suportar a indiferença coletiva desde que possa se dedicar cim um pingo de honestidade ao próprio trabalho. Alessandro Santana, realizador sergipano mais conhecido como Cabelo, é desses, vocacionado para o aperto.
Homem de poucas palavras, Cabelo elegeu o audiovisual como vocabulário, angariando interlocutores de peso. Para a professora Maira Ezequiel (mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP), por exemplo, tratamos aqui de um videoartista.
"A obra de Alessandro pode não ser vasta em quantidade, mas sobra-lhe ousadia, coragem e talento para fazer do audiovisual seu discurso artístico e, quiçá, sua forma mais eloquente de conexão com o mundo. Sob claras influências de grandes artistas desse gênero, como Maya Deren, Bill Viola e Norman McLaren, Cabelo explora deliciosamente a subversão da estética linear, a corrupção da imagem asséptica e o incômodo do ruído".
Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha. Eu dei um saque no trabalho de Cabelo, certo de que poderia encontrar pretexto para meio hora de conversa mole nos vídeos que dão sopa na internet. Fiquei sem palavras. A densidade mencionada por Maíra soterra a empáfia pseudointelectual de qualquer jornalista metido a besta, como este que vos fala. Os mínimos são mínimos, nunca ultrapassam o esporro de deslumbramento e espanto, mas as sugestões contidas no diálogo sussurrado entre imagem e trilha sonora transbordam as possbibilidades de um jornal inteiro.
Conversando, a gente se entende – Esta semana, o trabalho de Cabelo Serpa debatido com a presença do autor. A discussão promovida pelo Sesc ocorrerá no próximo dia 04, às 19 horas, no Museu da Gente Sergipana. Segundo o coordenador da atividade, Wolney Nascimento, a profícua produção local justifica a iniciativa.
"Em Sergipe, supõe-se um pequeno número, mas que é considerável, de realizadores, produtores e profissionais envolvidos na trama do fazer e do pensar da linguagem cinematográfica. São profissionais da comunicação, da publicidade e dos cursos de licenciaturas que utilizam o audiovisual em pesquisas de campo e mais especificamente os estudantes do Curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe que se configuram como realizadores e produtores audiovisuais".


