Milton Alves Júnior
Em protesto contra a contratação de profissionais estrangeiros para trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), por parte do Governo Federal, médicos sergipanos saíram na manhã de ontem em caminhada pelas principais ruas e avenidas do Centro de Aracaju. Conforme pronunciamento feito pela presidente Dilma Rousseff, o objetivo da contratação é qualificar o serviço público que atualmente é prestado aos usuários do sistema. Ainda segundo a chefa do executivo nacional, a atual oferta de profissionais é significativamente menor que a demanda de pacientes. A marcha que teve início em frente ao Conselho Regional de Medica fez parte da mobilização nacional da categoria.
Seguindo em direção da sede do Ministério da Saúde em Sergipe, os manifestantes pronunciavam palavras de ordem e prejudicaram o fluxo de veículos nas localidades por onde transitavam. De acordo com Julio Seabra, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), para que esses profissionais estrangeiros possam atuar no Brasil, cada um deve passar por uma série de avaliações técnicas para averiguar a veracidade do diploma e as qualificações profissionais. "Não podemos permitir que brasileiros passem a ser atendidos por médicos com baixa qualificação. Se todos eles passarem por uma severa avaliação profissional, tudo bem, mas sem isso como iremos ter a certeza que eles estão realmente preparados para cuidar da saúde do povo?", indagou.
Diante da paralisação de 24h por parte dos profissionais, o atendimento do SUS ficou ainda mais caótico durante todo o dia de ontem. Conforme acordo feito entre os próprios médicos, apenas os casos de urgência seriam atendidos. Segundo os manifestantes, apenas com atitudes ‘drásticas’ o pleito poderá ser atendido pelos governantes federais. Para o presidente da Sociedade Médica de Sergipe (Somese), Petrônio Gomes, um novo concurso público poderá resolver parte dos problemas. "Nossa indignação não é voltada apenas para essa contratação de profissionais estrangeiros. Da mesma forma que alguns brasileiros vão trabalhar no exterior, eles também podem exercer a profissão aqui. Acho que a melhor solução é promover um novo concurso público para todos os estados", disse.
Atualmente, segundo os manifestantes, a falta de condições de trabalho ainda é o principal motivo para que os médicos acabem rejeitando a atuação em algumas unidades de saúde no Brasil. Durante a caminhada, a categoria protestou em frente à Câmara Municipal de Vereadores (CMA), e na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). De acordo com a direção da Somese, a proposta do Ministério da Saúde é oferecer aos estrangeiros salários que variam entre R$ 18 e R$ 24 mil por uma carga semanal de trabalho de 40 horas. Já para os brasileiros, para a mesma carga horária o salário não passa dos R$ 8.
"A nossa manifestação acabou na noite de ontem justamente para não prejudicar os sergipanos. Esperamos que os gestores públicos barrem essa ideia da presidente e passem a valorizar os brasileiros que tanto se preocupam com o desenvolvimento do nosso país", declarou a médica Mércia Lourenço. Conforme informações repassadas pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), todos os estrangeiros que residem em Sergipe e que desejam dar início ao processo de validação do diploma, devem se dirigir a outro estado. Essa reivindicação em outra universidade é em decorrência da UFS não realizar esse tipo de serviço desde o ano de 2005. A taxa para validação é de R$ 600.

