A euforia passou. Mais uma vez estamos a fazer aquele desenxabido movimento abandonando o caminho em direção ao sonhado Primeiro Mundo e, numa inesperada volta de 180 graus, retomando a rota de retorno ao Terceiro. A coisa pode não ser exatamente assim, tão desastrosa, mas os sintomas da crise estão em toda parte. Na verdade a crise não é especificamente nossa, a crise resulta da inviabilidade do modelo de desenvolvimento econômico que a globalização nos impõe. Já se disse, e com carradas de razão, que só loucos ou economistas acreditam que a economia mundial pode crescer infinitamente num mundo onde os recursos naturais são finitos. Ainda não chegamos ao ponto de exaustão, principalmente aqui no Brasil onde a natureza nos proporcionou um estoque fabuloso de recursos naturais. A obsessão consumista é a desajuizada máquina que mantem o movimento necessariamente febril do capitalismo. Milhões de veículos produzidos, e modelos mudados a cada ano, eletrônicos sempre substituídos no afã de acompanhar as ¨inovações tecnológicas¨ que surgem a todo momento. Nas cidades, as ruas entupidas, sem espaço para mais veículos, e eles cada vez mais sendo vendidos. O Brasil chegou tarde a essa corrida sem ponto de chegada, e é óbvio que o brasileiro se sente atraído pelo modelo consumista, no qual fez entrada tardia, quando a festança vai chegando ao fim.
Ninguém se conformará em trocar o carro pela bicicleta. Um dia, que poderá até não estar muito longe, como fazem supor as circunstancias, esse modelo de desenvolvimento, a longo prazo suicida, terá de ser substituído, e para que isso aconteça, muito mais influente do que as ideologias será a imperiosa busca da racionalidade. Agora, quando as ruas entram em cena, há uma ansiosa expectativa em torno da capacidade que terão as instituições para remodelar procedimentos, corrigir erros, buscar novos caminhos. Teria chegado o momento de valorizar a racionalidade?
Se assim for, a ideia de por a funcionar um trem bala ao custo de mais de 20 bilhões de dólares teria de ser urgentemente arquivada. Não temos ferrovias, as nossas linhas de metrô são irrisórias, os portos ineficientes. E apesar disso nos prometem um trem rodando a 400 quilômetros por hora para transportar passageiros entre o Rio e São Paulo.
Por falar nisso, como anda mesmo o projeto da prometida ferrovia ligando Salvador ao Recife passando por Aracaju e Maceió a um custo que nem chega a 5% do mar de dinheiro que consumirá o Trem Bala?


