NOVA EMPRESA DE ÔNIBUS SERÁ ANUNCIADA

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

O prefeito João Alves Filho (DEM) vai anunciar hoje a nova empresa de ônibus que passará a atuar no transporte coletivo de Aracaju. O anúncio acontece às 7h no auditório do Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos.

Essa empresa deverá substituir as empresas VCA e São Cristóvão que foram excluídas do transporte coletivo da grande Aracaju em função da falta de pagamento dos salários dos seus empregados. Com isso, os ônibus estão sem circular há três semanas.

O advogado Gilberto Vieira, representando as empresas Viação Cidade de Aracaju (VCA) e São Cristóvão, anunciou que deve ingressar com uma Ação Judicial contra o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), até a próxima sexta-feira.

O objetivo da ação, segundo o advogado, é abrir a ‘caixa preta’ do Sindicato.  "Tentamos reunir os empresários, mas na assembleia da última segunda-feira não houve maioria e por isso não tivemos a chance de solicitar a auditoria do Setransp. A ‘caixa preta’ continua sendo uma caixa de pandora".

Com a exclusão da VCA e São Cristóvão do sistema de transporte público, anunciada pela Prefeitura de Aracaju no dia 24 de julho, as empresas não poderiam mais votar na assembleia. Sem a maioria, não houve deliberação alguma. "Essa foi uma manobra do Setransp para impedir a auditoria", denunciou Gilberto. Caso ocorresse, a reunião teria como pauta: pagamento de agiotas, auditorias e apuração de responsabilidades pela paralisação dos ônibus, entre outros assuntos.

De acordo com o advogado, as empresas VCA e São Cristóvão não foram comunicadas oficialmente da exclusão, mas no dia 25 a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) comunicou ao Sindicato a saída das empresas.

Quando questionado sobre como e quando ocorrerá o pagamento dos trabalhadores das duas empresas, Gilberto é enfático. "Não há recurso para arcar com a folha de pagamento dos funcionários sem que as empresas estejam operando". Ele complementou falando do porquê no atraso do pagamento quando estavam em operação: "o Setransp não estava repassando o pagamento corretamente, foi por isso que vamos solicitar auditoria para saber o que está acontecendo".

Negociação – Ele diz ainda que as empresas já solicitaram reunião com o prefeito de Aracaju, João Alves Filho, para tentar resolver a situação, porém ainda não foram atendidas. "Precisamos dar destino aos 1.500 funcionários das empresas, mas não conseguimos conversar com o prefeito", reclamou o advogado.

A migração desses trabalhadores para a nova empresa pode não ser fácil, como diz o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). "A mudança tecnicamente é difícil, porque cria responsabilidade para a nova empresa", citou Gilberto Vieira. Ele lembra o período em que a VCA teve 50 veículos tirados de circulação e as linhas foram absorvidas pelas empresas Progresso e Halley. "Na época, as empresas se comprometeram no Ministério do Trabalho em absorver 300 funcionários da VCA, mas a realidade foi diferente".

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra), Miguel Belarmino da Paixão não gostou do que disse o advogado Gilberto Vieira. "Não cabe a ele dizer que o processo de migração dos trabalhadores é ‘tecnicamente difícil’, e sim ao Sinttra. A prioridade na nova empresa é do pessoal da VCA e São Cristóvão", assegurou o sindicalista.

Ele ainda garantiu que se não houver aproveitamento dos cobradores, motoristas e pessoal da manutenção, a empresa que fará parte do transporte público da Grande Aracaju, que será conhecida hoje, 31, terá dificuldade para circular. "Vamos fazer campanha para que seus veículos não saiam da garagem", avisou o presidente do Sinttra.

Miguel rebate a informação dos 300 trabalhadores que não foram transferidos quando a VCA perdeu algumas linhas por conta da apreensão dos veículos. "Isso ainda não foi finalizado porque a VCA demorou a enviar a relação com o nome dos funcionários. Mas todo o processo está sendo acompanhado pelo Ministério do Trabalho".

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