Comerciantes temem pela interdição da Ceasa

Comerciantes e clientes da Central de Abastecimento de Alimentos em Sergipe (Ceasa) foram surpreendidos de forma positiva essa semana por mais uma vistoria técnica promovida pela Vigilância Sanitária Estadual. O objetivo da ação é identificar e combater qualquer tipo de irregularidade que possa prejudicar a qualidade nutricional dos alimentos comercializados no espaço administrado pelos próprios feirantes. Na tentativa de ampliar a fiscalização, agentes da Vigilância Sanitária Municipal também participaram do serviço que incluiu entrevistas a vendedores e funcionários da Ceasa. A perspectiva por parte dos órgãos responsáveis por essa investigação é que um dossiê seja concluído e possivelmente apresentado ao Ministério Público Estadual (MPE).

Após a Prefeitura de Aracaju ser ‘orientada’ a realizar reformas em caráter de emergência no Mercado Albano Franco, centro da cidade, comerciantes da Ceasa temem que promotores do MPE exijam a interdição do local. Apesar de pontos críticos apontados pelos próprios vendedores, há quem não acredite em alguma decisão severa e representativa. Esse é o caso de Luís Manoel dos Santos, vendedor de amendoim há mais de dez anos. "Temos problemas nos banheiros e na falta de acessibilidade, mas o que mais chamava a atenção e revoltava a gente era o recolhimento do lixo. Felizmente esse caso já foi resolvido pelo governo. Se for pra melhorar isso aqui, que novas vistorias sejam realizadas", declarou.

Compartilhando com o posicionamento de Manoel, a vendedora de plantas e artigos para jardinagem, Luciana dos Santos, disse que muitos comerciantes realizam faxinas semanalmente. Para ela, essa atitude contribui diretamente para que a proliferação de ratos e escorpiões seja possível. "Entendemos que como é um local que reúne um grandioso número de alimentos, a probabilidade desses animais aparecerem é muito grande. A administração parece estar mais preocupada com a higienização da Ceasa e futuramente podemos, quem sabe, alcançar avaliações positivas em todos os setores". Ainda de acordo com a vendedora, para que esse progresso seja realmente obtido, os vendedores devem continuar prezando pela limpeza dos boxes.
"Aqui cada um depende do outro. Não adianta meu vizinho se preocupar tanto com a limpeza do seu espaço e eu não estar nem aí. A presença dos agentes de fiscalização só contribui para que nosso acordo seja reforçado. Estamos fazendo a nossa parte, espero que a melhoria do Ceasa em um todo seja promovida pela administração pública", pontuou Luciana. Construída há 41 anos com verbas do Governo Federal, a Ceasa possui aproximadamente 100 barracas e estava sendo fiscalizada há 12 dias, mas com o objetivo de não prejudicar o andamento da vistoria, poucos comerciantes tinham conhecimento da ação. (Milton Alves Júnior)

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