Taxistas bandeirinhas e clandestinos protestam

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Taxistas bandeirinhas e clandestinos realizaram na manhã de ontem uma manifestação para pressionar os parlamentares aracajuanos a atender o pleito das categorias. Com reivindicações contrárias, um contra o outro, os manifestantes de maneira pacífica se concentraram em frente à entrada principal da Câmara Municipal de Aracaju (CMA), e exigiam o apoio dos vereadores. De um lado, os bandeirinhas alegavam concorrência desleal, por outro, os clandestinos exigem legalidade para que todos possam trabalhar. Conforme regimento interno da CMA, o número de táxis deve ser ampliado conforme o número de habitantes na capital sergipana, ou seja, um para cada 300 aracajuanos. Atualmente, de forma regularizada circulam exatos 2.080 veículos.
Conforme levantamento realizado pela Associação Nacional de Taxistas bandeirinhas, até o último mês de junho apenas quatro capitais brasileiras estavam dentro do parâmetro mundial, sendo elas: Recife (PE), Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ) e Aracaju. Para o taxista Júlio César Dias, a Prefeitura de Aracaju, através da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) deveria intensificar as fiscalizações na cidade e evitar que ações ilegais continuem sendo promovidas. "Já é difícil a concorrência com os companheiros legalizados, imagine com os clandestinos. Esperamos com essa manifestação chamar a atenção dos vereadores, em especial do vereador Adriano Taxista que conhece de perto esse nosso problema", disse.
Ainda segundo o denunciante, os clandestinos se deslocam todos os dias dos demais municípios que formam a Grande Aracaju. "Chegamos ao nosso limite, desse jeito não tem condições de continuar oferecendo um serviço de qualidade aos passageiros. Ou a prefeitura passa a adotar medidas de fiscalização mais rígidas, ou esse tipo de problema só vai se agravar e prejudicar a cidade", afirmou o taxista Marcos Ramos dos Santos.
Em contrapartida, reprovando a reivindicação dos ‘bandeirinhas’, os taxistas clandestinos dizem apenas permanecer atuando por falta de profissionais que se dispõem a realizar corridas para bairros da periferia a partir das 21h. Conforme reclamações da categoria, faltam táxis considerados regularizados para atender as demandas diárias e noturnas em bairros como Santa Maria, 17 de Março, Piabeta e Lamarão.
Para o taxista lotação André Pereira, esse tipo de atividade irregular ocorre, porém após desejo dos próprios moradores. Segundo ele, a falta de assistência por parte dos taxistas credenciados pela prefeitura fez com que os táxis clandestinos fossem promovendo corridas de forma mais constante nos últimos dez meses. "Estamos apenas exigindo uma legalização que faz parte do desejo do próprio aracajuano. De que adianta seguir essa recomendação mundial se raríssimos são aqueles que se mostram interessados em atender um chamado vindo das comunidades mais carentes? Estamos aqui reunidos em busca de uma solução, e não para entrar em confronto com nossos colegas de profissão", alertou.
Acompanhados de longe por agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar, nenhuma ocorrência de conflito com agressões físicas foi registrada durante as manifestações. Para regularizar o fluxo de veículos, agentes da SMTT foram encaminhados até o local do ato público. Em conversa com os manifestantes, mesmo mostrando apoio aos taxistas credenciados, o vereador Adriano Taxista garantiu que pretende levar o assunto para debate nas sessões da CMA.

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