Cândida Oliveira
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O Sindicato dos Bancários entrou com ação judicial ontem contra a decisão da Prefeitura de Aracaju em retirar a sua conta e a folha de pagamento dos servidores municipais do Banco do Estado de Sergipe (Banese).
A decisão aconteceu na última segunda-feira, 16, em uma assembleia que reuniu as centrais sindicais. Ontem, as centrais se reuniram mais uma vez para fazer uma nota de apoio e defesa do Banese. "Pedimos na ação judicial a suspensão do leilão que já está marcado para o dia 7 de outubro", relatou a secretária de comunicação do Sindicato dos Bancários de Sergipe, Ivânia Pereira.
Para ela, a medida da Prefeitura de Aracaju prejudica os bancários, os sergipanos e o Estado. "Todo o capital do Banese fica em Sergipe, e com ele é possível ver as ações do banco em todas as cidades sergipanas", destacou Ivânia.
Ela pontuou também que a conta da prefeitura e dos seus servidores é importante para a manutenção do banco sergipano. No Brasil atualmente só existem cincos bancos estaduais. No tocante ao comentário do prefeito João Alves de que o Banese estaria perdendo depósitos desde 2008, Ivânia disse que a portabilidade é uma realidade que acontece há alguns anos, "inclusive o Banese é o banco que menos sofre com a portabilidade. Os servidores federais recebem seu salário nos bancos federais e os municipais recebem no banco estadual. O que o prefeito tem contra o banco?", questionou.
Ela ainda sugeriu que os problemas devem ser resolvidos entre os gestores. "Se o prefeito tem problemas com o Governo Estadual ou o Governo Federal que resolva diretamente com os gestores".
Na Câmara – O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Aracaju (Sepuma), Nivaldo Fernandes, usou a Tribuna Livre de ontem, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) para falar sobre a venda da folha de pagamento dos servidores municipais. O sindicalista também lamentou o fato de não ter tido acesso ao edital do processo licitatório.
"É estranho que ele não esteja disponibilizado para o público. O Sepuma tentou, por diversas vezes extrair do site da PMA a cópia do edital e não conseguiu", frisou. Nivaldo afirmou que é preciso analisar com calma o que diz o edital. "Nós não vamos discutir a legalidade do ato do prefeito. Mesmo porque a assessoria jurídica do Sepuma entende que o ato não está viciado, haja vista diversas decisões do Supremo Tribunal Federal. Se nele está a venda da folha e a administração das contas migrarem para o banco privado, aí sim fere a constituição", disse.
O sindicalista lembra que os servidores são os principais interessados no processo. "Queremos saber de quem for adquirir essa folha, o que vai oferecer aos servidores e o que os servidores vão ganhar com isso? A prefeitura não abriu esse processo de discussão com os funcionários e fazia-se necessário abrir essa discussão", afirmou.
De acordo com Nivaldo, o que a Prefeitura está vendendo é o salário do servidor. "Em um processo democrático de direito social urge a sensibilidade de sentar para conversar. Não cabe mais decisões unilaterais. O Sepuma está tentando marcar uma audiência com o Banco do Brasil, Caixa e Banese para que possamos contabilizar o que é disponibilizado pelo banco atual e os que poderão ser ofertados por essas instituições", ressaltou.
Bancários cruzam os braços a partir de amanhã
Os bancários sergipanos cruzam os braços a partir de amanhã, 19, por tempo indeterminado. A categoria irá realizar mobilizações nas portas das agências bancárias durante todo o dia. Segundo a secretária de comunicação do Sindicato dos Bancários de Sergipe, Ivânia Pereira, a categoria só volta ao trabalho quando chegar a um acordo com os banqueiros.
A decisão de parar aconteceu na assembleia realizada no dia 12 de setembro, quando foi rejeitada por unanimidade a proposta dos empresários. Não é Sergipe apenas que terá os serviços bancários suspensos, pois os demais estados também paralisarão as atividades. "A proposta dos banqueiros foi abaixo da inflação, 6,1%. E pedimos 11,5%, sendo 6,7% da inflação e o restante como ganho real", explicou a sindicalista.
Além do reajuste salarial, a categoria tem cláusulas sociais de reivindicação, a exemplo da saúde dos trabalhadores, assédio moral e segurança dentro das agências para funcionários e clientes. De acordo com Ivânia, os bancos federais – BNB, Caixa Econômica e Banco do Brasil -, além do estadual, Banese, e os privados devem parar. "Os bancos privados foram os que obtiveram maior lucro no primeiro semestre de 2013", relatou. Apenas em Sergipe há 4.800 bancários.
Hoje, quarta-feira, às 18h30, na sede do Sindicato dos Bancários, a categoria se reúne em assembleia organizativa. "Convidamos os bancários para participar do momento", convocou Ivânia. Ela também pediu a compreensão da população. "Pedimos desculpas a sociedade pelos transtornos que serão causados com a mobilização, mas desde abril tentamos negociar com os banqueiros, no entanto, não obtivemos sucesso", explicou.


