Gabriel Damásio
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A crise nas unidades socioeducativas administradas pela Fundação Renascer se agrava cada vez mais, sem nenhuma perspectiva concreta de solução. Às 7h15 de ontem, explodiu a segunda rebelião – em menos de uma semana – com a participação conjunta de internos da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip) e do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam). Desta vez, o saldo do levante foi ainda mais desastroso: um interno da Usip foi ferido com golpes de arma branca, tendo que ser internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), e 50 menores que conseguiram fugir das duas unidades, segundo dados da Polícia Militar e do Sindicato dos Agentes Socioeducativos de Sergipe (Sindasse).
Segundo informações da polícia, o menor ferido foi atacado por um grupo rival dentro do Cenam e, depois de ser amarrado contra a grade de uma ala, levou vários golpes de chuço e estiletes. Cambaleando e perdendo muito sangue, ele foi resgatado por policiais militares que entraram na Usip e levado até uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A mãe do rapaz entrou em desespero ao ver o filho ensanguentado e também precisou de atendimento. Em nota, a Fundação Renascer informou que o interno não corre risco de morte, "encontra-se consciente e seu estado de saúde é considerado estável", mas precisou passar "por uma cirurgia para tratar de um pneumotórax (presença de ar fora dos pulmões)".
A gravidade da rebelião foi potencializada pelo saldo da primeira rebelião, ocorrida na quinta-feira passada, quando cerca de 80% dos menores das unidades fizeram um grande quebra-quebra e destruíram móveis, grades e paredes das alas. Desta vez, segundo informações, os adolescentes do Cenam escalaram o telhado e insuflaram os que estavam na Usip para aderir ao motim. Houve um novo quebra-quebra e até o alojamento dos agentes socioeducativos foi invadido e revirado. Com isso, além de pedras, barras de ferro, chuços e outras armas artesanais, os rebeldes se armaram com cassetetes, capacetes e escudos.
A partir daí, todos escalaram o telhado e uma parte conseguiu fugir, saltando para um matagal situado nos fundos do Cenam. Os outros ficaram ali por mais de uma hora, acenando ou jogando pedras e telhas. Como aconteceu na primeira rebelião, não houve resistência dos poucos agentes de plantão, diversas unidades da Polícia Militar foram acionadas para controlar o tumulto, mas não houve a necessidade de atirar bombas de efeito moral. O Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) entrou nas duas unidades e permaneceu ali durante boa parte do dia.
Recapturados – Até o fim da tarde de ontem, a PM havia recapturado 15 dos 50 adolescentes foragidos. Cinco deles foram achados por volta das 16h no Cj. Santa Lúcia (zona oeste), perto de obras de construção de condomínios residenciais da empresa Norcon. Militares de dois Postos de Atendimento ao Cidadão (PACs) acharam três dos menores em um ônibus da linha Santa Lúcia/Sol Nascente. Outros dois estavam ao lado do Cemitério Colina da Saudade.
Mais cedo, outros sete internos foram detidos na região do Loteamento Barreiro, em São Cristóvão (Grande Aracaju), onde pediam roupas a moradores. Com a chegada da PM, o grupo chegou a se dispersar por um matagal ou por residências. Os soldados do PAC do Cj. Eduardo Gomes pediram reforço e acharam quatro fugitivos que estavam escondidos em um sítio e fizeram uma mulher e duas crianças reféns. Outros dois se esconderam na casa de uma mulher. Todos os recapturados têm entre 16 e 18 anos e foram levados de volta ao Cenam.


