Milton Alves Júnior
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Seis meses após os atos públicos que pararam o Brasil, uma pessoa permanece respondendo a processo judicial por promover atos de violência e vandalismo ao patrimônio público e particular no Estado de Sergipe. Ao longo das manifestações mais de 20 pessoas foram detidas pela Polícia Militar e sete foram indiciadas. Por falta de testemunhas ou comprovações apresentadas pelos próprios militares, os demais já tiveram o procedimento judiciário finalizado e arquivado. No processo ainda em andamento consta que o acusado, Gabriel Varjão, contribuiu para desordem pública ao incendiar pneus, lixeiras, pinchar paredes, e cortar com o auxílio de uma faca, o pneu de um carro de reportagem durante um ato na avenida Beira Mar.
Em nota oficial emitida pelo Movimento Não Pago, principal grupo idealizador das mobilizações, as denúncias militares não procedem com a verdade. Diante da vasta aglomeração de pessoas nas ruas, ao longo das caminhadas dezenas de vândalos aproveitavam a situação para cometer danos ao patrimônio público, ofensas contra os agentes de segurança, e pequenos furtos contra populares que decidiram se unir à causa popular a fim de pleitear melhorias no sistema de saúde, transporte coletivo, valorização do Meio Ambiente e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 300).
Para Demétrio Varjão, coordenador do Não Pago, os atos de vandalismo sempre foram rejeitados pelos organizadores e o movimento se mostrou interessado em colaborar com as investigações. "Em momento algum demos as costas para a justiça ou atrapalhamos o trabalho de investigação, mas também não podemos aceitar que pessoas possam responder a processos sem nenhuma prova concreta contra elas. Um advogado foi contratado por nós e está trabalhando para concluir esse último processo", declarou.
Ainda em entrevista concedida ao Jornal do Dia, Demétrio lamentou a maneira em que a Polícia Militar e seus variados comandos chegavam aos atos e abordavam as pessoas. Para o movimento, a Tropa de Choque na maioria das ocorrências se aproximava dos manifestantes de forma arbitrária e intolerante. As investigações, segundo Demétrio, também deveriam se voltar para a ação militar.
"Antes mesmo da proibição de utilizarmos máscaras, os policiais chegavam e prendiam algumas pessoas que sequer pegaram um pneu para queimar", disse Varjão. "Um desses casos ocorreu no mês de junho na Praça da Bandeira. Botamos o povo nas ruas, mas para a tristeza geral da nação o progresso dos nossos pedidos continua parado".
A presença bastante representativa dos brasileiros nas ruas teve como princípio o reajuste da tarifa do transporte coletivo mesmo, diante da falta de ônibus para atender a atual demanda, precariedade dos veículos e falta de segurança nos pontos de ônibus e Terminais de Integração. Na Grande Aracaju, o reajuste foi de 4,4% no início de junho, passando de R$ 2,25 para R$ 2,35.
Cartilha – Na última quinta-feira, 06, o Movimento Não Pago voltou a se pronunciar e lançou via internet uma cartilha contendo 11 páginas sobre a situação do transporte público na Grande Aracaju. O documento traz uma série de irregularidades possivelmente promovidas pelo poder público municipal e pelas empresas de ônibus. No documento livre para leitura o movimento também indaga o motivo que fez a bancada de apoio ao prefeito João Alves Filho na Câmara de Vereadores não ter aprovado a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e Licitação do transporte público.
"Durante esse final de semana estamos reunidos para fazer uma avaliação geral do nosso movimento ao decorrer dos últimos 11 meses. Da mesma forma que estamos analisando a participação popular por parte dos nossos vereadores, deputados e do prefeito. Infelizmente pouco ou nada andou se comparar a gestão de Edvaldo com o primeiro ano de João", afirmou Cleidson Carlos, integrante do Não Pago.
Com a contratação da empresa Atalaia, para suprir a demanda deixada pela extinta Viação Cidade de Aracaju (VCA), parte dos problemas avaliados pela Prefeitura de Aracaju foi solucionada. Apesar das propagandas ‘encantadoras’ e bem produzidas, Cleidson garante que os grandes problemas continuam e atrapalham os usuários que passaram a pagar mais caro pela passagem na esperança de um serviço de melhor qualidade.
"A falta de iluminação e segurança nos terminais permanecem, os pontos de ônibus sem conforto e cobertura é o reflexo de que nada mudou pra melhor. Se a Atalaia chegou foi porque a VCA saiu. A tarifa aumentou e os vereadores ainda vetaram os projetos de implantação da CPI e redução da tarifa para R$ 1 aos domingos. Infelizmente o povo mudou a maioria dos vereadores, mas essa atuação democrática não foi suficiente pra melhorar a vida dos aracajuanos", pontuou.
Segundo informações do Movimento Não Pago, até o próximo dia 31 não existe perspectiva de novos atos públicos. O objetivo do grupo é realizar seminários e mesas de debates a fim de traçar o calendário de mobilizações em 2014, ano de pleito eleitoral.

