Bancas e bares serão retirados

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Comerciantes das praças Camerino e Tobias Barreto, em Aracaju, começam a deixar o local de trabalho após não conquistar nova liminar judicial. Seguindo determinações contidas no Plano Diretor de Aracaju, a prefeitura determinou que apenas os dois quiosques mais antigos na Praça Camerino deveriam permanecer trabalhando. Em virtude de ser maior, na Praça Tobias Barreto permanecem os três mais antigos. A exigência municipal que vem provocando polêmica há mais de dois meses entre os comerciantes e a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), mais uma vez foi reprovada pelos trabalhadores e consumidores que diariamente costumavam frequentar esses quiosques.

Triste com a obrigação de deixar o local depois de 20 anos, o comerciante Márcio Henrique disse que o prefeito João Alves está descumprindo um acordo firmado no início do ano com os donos de lanchonetes e bancas de revistas. "Ficou certo que a gente não iria sair e que a gente poderia até melhorar nossos pontos. Gastei mais de dois mil reais e o que ganhei foi essa notificação. As promessas eleitorais e pós assumir a poltrona de prefeito foram por água abaixo", declarou. Com o objetivo de sensibilizar o chefe do executivo municipal a não despejar os trabalhadores, Márcio criou um documento popular onde mais de mil pessoas foram contra a atitude da prefeitura.
"Infelizmente todo esse trabalho e nada foi suficiente para evitar essa retirada. É uma verdadeira negação essa gestão de João na prefeitura. Muitos aracajuanos votaram nele achando que realmente era a solução para os nossos problemas, mas percebemos que com os outros ao menos a gente tinha nosso cantinho para trabalhar", declarou o comerciante que concluiu dizendo: "Agora vou ter que demitir meus funcionários em pleno período natalino por não ter condições de mantê-los trabalhando comigo", disse.

A sensação de revolta dos comerciantes é compartilhada pelos clientes, em especial os estudantes, que se alimentavam na praça e adquiriam materiais didáticos durante o período letivo. Para o jovem Luan Christian, de 17 anos, a permanência de dois quiosques é insuficiente para a atual demanda de consumidores. "Nas bancas nem tanto, mas na hora do almoço tinham dias que aqui ficava com pessoas em pé pra lanchar, imagine agora com essa redução. A praça vai ficar mais bonita, mas menos movimentada porque a gente vai ter que ir pra outro lugar senão a gente vai se atrasar para as aulas", disse.

Pela Assessoria de Comunicação da Emsurb, foi informado que, conforme exigências da obra que foi promovida dentro das normas do Plano Diretor, a cada quatro mil metros quadrados apenas um equipamento (quiosque) deve permanecer.

Na tarde de ontem o diretor de espaços públicos da Emsurb, Luís Carlos (Branca de Neve), disse que esses comerciantes despejados serão automaticamente incluídos em uma lista de aracajuanos que pleiteiam um espaço público para realizar algum tipo de comércio.

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