Mendigos tomam as praças

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Nos últimos dias a capital sergipana vem registrando um aumento significativo no número de mendigos e pedintes que dividem o tempo entre o calor dos asfaltos e a sombra das árvores em praças e rótulas. Na avenida Hermes Fontes, na divisa entre os bairros Luzia e Jardins, é possível perceber que dezenas de famílias estão ocupando parte de uma praça utilizada como ponto de apoio para os mendigos. Temporariamente, ou não, os ocupantes já construíram fogões a lenha e barracas que servem para proteger algumas crianças que sequer completaram um ano de vida. Apesar de nenhum registro de violência ou furto ter sido notificado junto a Polícia Militar, alguns moradores dizem evitar transitar pela localidade.

Considerada por muitos como uma migração comum nesse período do ano, a comerciante Ana Angélica acusa os governos municipais e estaduais de descaso e integral responsável pelo acúmulo de pedintes nas ruas. Segundo ela, a falta de políticas públicas em ações sociais tem contribuído para que a cena se repita mais uma vez em Aracaju. "Além de deixar a praça menos arrumada, percebe-se que eles estão ali apenas para faturar pedindo nos semáforos. Chega a ser difícil se deparar com crianças com cinco, seis anos que deveriam estar estudando e na realidade estão de pés descalços pedindo dinheiro aos motoristas", lamentou Ana, que também mora no bairro há mais de 20 anos.

Conforme dados da Prefeitura de Aracaju, até o mês de setembro a capital sergipana contabilizava uma media de 400 moradores de ruas. Parte deles devidamente cadastrada junto à Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas). Devido a aproximação do período natalino esse número pode chegar a 700. Segundo a Semfas, parte dos pedintes é formada por moradores de cidades que compõem a Grande Aracaju e de estados vizinhos como Bahia e Alagoas. De acordo com a estudante Luíza Aquino, no período noturno o número de ocupantes é ampliado. "Eu acho que eles se dividem para pedir em outras regiões. A cidade está cheia de mendigos e ninguém faz nada, ou faz tão pouco que ninguém vê resultado", disse.

Pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania (Sedhuc) foi informado que na tentativa de melhorar a qualidade de vida dos sergipanos e evitar a migração de mendigos de outros estados para Sergipe, o governo vem adotando medidas em parceria com o Ministério Público Estadual (MPE). "Estamos preocupados com essa situação e justamente por isso no mês passado nós realizamos o I workshop sobre população em situação de rua em Sergipe. Nessa luta por melhoria o município também tem se mostrado solícito e isso é fundamental para o progresso do estado", declarou o secretário Luiz Eduardo Oliva. Em sete anos o número de mendigos saltou quase 250%, passando de 197 para 700 nos dois últimos meses do ano.

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