Milton Alves Júnior
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Sete meses após a Câmara de Vereadores de Aracaju (CMA) ter aprovado o reajuste de 4,4% na tarifa do transporte público, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) já estuda a possibilidade de encaminhar aos parlamentares municipais uma nova planilha de gastos e solicitação de mais um aumento. Conforme informações apresentadas pela direção do sindicato, a proposta está em fase de avaliação em decorrência da inflação que atingiu o setor de peças, manutenção e reajuste salarial dos motoristas e cobradores. Nas ruas, os usuários desse sistema ‘público’ temem que o reajuste seja aprovado e Aracaju volte a registrar manifestações históricas, assim como ocorreu no ano passado.
Sem data prevista para ser concluído e apresentado oficialmente, o documento antes de ser protocolado na CMA será encaminhado para a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), com o propósito de passar por uma análise técnica. Independente da indefinição de quando o relatório será divulgado, mais de 95% dos passageiros entrevistados disseram não aprovar a medida. Segundo relatos, a frota insuficiente para a atual demanda, falta de pontualidade dos veículos, os problemas nos terminais de integração e abrigos de ônibus, além da constante e preocupante falta de segurança, são os principais motivos que influenciam os usuários da Grande Aracaju a não concordar com o reajuste.
Para o técnico em informática Márcio Dantas de Azevedo, a falta de comprometimento por parte dos gestores municipais junto aos aracajuanos é o principal motivo de revolta. "A pergunta que gostaria de fazer pessoalmente a cada vereador é a seguinte: até que ponto nós eleitores podemos confiar na palavra de cada um? Digo isso porque a desculpa no ano passado era de que precisavam aumentar a passagem pra disponibilizar um serviço de qualidade, mas até agora não percebi nenhum avanço", disse. Atualmente mais de 300 mil moradores da Grande Aracaju dependem desse tipo de transporte. São mais de 700 abrigos e um gasto mensal superior a 20 mil reais para a manutenção de cada terminal.
Avaliando o possível aumento como um desrespeito aos sergipanos e à legislação, o economista Demétrio Varjão disse torcer para que a população possa se unir de forma mais resistente se comparado ao mesmo período do ano passado. Rejeitando as perspectivas do Setransp, Varjão, lider estudantil e um dos responsáveis pelo Movimento Não Pago, garante que novas mobilizações devem ser articuladas caso o projeto seja de fato aprovado pela SMTT e encaminhado para apreciação dos vereadores. "Não podemos aceitar esse desrespeito com os trabalhadores e por isso que não iremos permitir que esse aumento seja aprovado e sancionado pelo prefeito. Esperamos que a justiça desta vez esteja conosco", declarou.
Apesar do princípio de polêmica, a direção da SMTT garante que até a tarde da última sexta-feira, 17, o órgão municipal de fiscalização não foi notificado quanto ao projeto de reajuste. Independente da não aprovação dos passageiros, o assessor de comunicação da SMTT, Flávio Vasconcelos, avalia o comportamento do Setransp como um processo natural e realizado nos primeiros meses de cada ano. "O que podemos informar nesse momento é que nada foi apresentado pelo sindicato, mas que essa proposta já seria esperado para este ou o próximo mês. Assim que o documento for apresentado nós iremos nos manifestar", afirmou.
Relatório – A fim de entrar com uma ação judicial contra esse processo de reajuste, a direção do ‘Não Pago’ declarou que o grupo já está mobilizado com o propósito de criar um relatório apontando as possíveis irregularidades cometidas pela administração municipal e pelo Setransp. "Mesmo sendo apenas uma ideia precoce do sindicato, nós estamos nos antecipando e procurando a justiça. Essa é a melhor maneira para garantir que o usuário desse sistema absurdo e precário não seja ainda mais lesado", informou o movimento.


