Kátia Azevedo
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Por falta de uma estrutura mínima de assistência, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Nestor Piva, na avenida Maranhão, zona norte de Aracaju está com o serviço médico interditado desde a noite da última terça-feira, 25, pelo Conselho Regional de Medicina de Sergipe (Cremese). A entidade alegou que a inexistência de condições ao exercício da profissão representa um fator de risco à vida dos pacientes.
A medida foi tomada pelo Cremese após uma fiscalização conjunta realizada na noite de terça-feira na unidade de saúde com a participação de representantes do Ministério Público de Sergipe, Conselho Regional de Enfermagem e do Sindicato dos Médicos. Durante a vistoria, foram constatados problemas como a falta de medicamentos, de materiais e equipamentos de ultrassom, elétron e Raio X quebrados.
Segundo o médico Hyder Aragão de Melo, conselheiro do Cremese, a interdição será por tempo indeterminado até que a Prefeitura Municipal de Aracaju resolva os problemas da falta de materiais e medicamentos dentro da unidade.
"Do jeito que a unidade está não há condição nenhuma de atendimento e consequentemente coloca em risco a vida do paciente. A interdição é a última ferramenta do Conselho para tentar mudar este quadro preocupante de uma total ausência de estrutura em que se encontra o Nestor Piva, sem medicamentos e materiais que garantam uma assistência digna à população", afirma.
Hyder Aragão lembra que a situação da UPA é antiga e o poder público nunca adotou medidas de melhorais no local, ressaltando que persistem problemas como a sobrecarga do trabalho dos médicos, equipamentos que não funcionam e a inexistência de remédios. "Sem essas ferramentas essenciais para o exercício da atividade profissional, não temos uma resposta para o tratamento dos pacientes, que ficam prejudicados com o agravamento do quadro clinico", exemplifica.
Ele esclarece ainda que a interdição é somente para os médicos, não afetando o atendimento de outras áreas que compõem a UPA como enfermeiros e demais profissionais.
"Enquanto durar a interdição, os médicos continuam prestando atendimento a pacientes que estão internados na unidade, entretanto os profissionais ficam proibidos pelo Cremese de receber novos pacientes, cabendo à gerência da UPA dar um direcionamento da assistência às pessoas que procurarem o Nestor Piva", explica.
Amanhã, 28, o Ministério Público Estadual fará audiência de emergência para discutir o assunto com os representantes das entidades médicas e membros da Secretaria Municipal de Saúde para buscar uma solução sobre o caso e evitar o fechamento do Nestor Piva durante o carnaval, período que registra intenso movimento de pacientes na unidade. "Esperamos que antes do carnaval seja encontrada uma solução", reforça o conselheiro.
Na manhã de ontem, os pacientes que procuraram o Nestor Piva foram surpreendidos com o aviso na porta sobre a interdição. Muitos buscaram atendimento na UPA Fernando Franco, na zona sul da capital, que também foi vistoriada pelo Cremese na noite de terça-feira. O Conselho estipulou um prazo de 15 dias para fazer uma nova fiscalização na unidade de saúde que foi interditada.
Estratégias – De acordo com informações da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, o órgão se reuniu ontem para traçar estratégias para regularizar a situação da unidade até amanhã.
Também segundo informações da secretaria, já foram iniciados contatos para consertar os equipamentos quebrados e garantir a aquisição o mais rápido possível dos medicamentos que estão em falta na UPA. "Estamos adotando todas as medidas para que a unidade tenha a situação regularizada e volte a funcionar amanhã garantindo o atendimento no carnaval", disse Cristina Rochadel, assessora de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde.


