Infecção alimentar leva 150 operários a hospital

Cerca de 150 operários de seis construtoras da capital foram internados entre a noite de segunda-feira e a manhã de ontem, com suspeitas de intoxicação alimentar. Eles passaram mal horas depois de almoçarem em seus respectivos locais de trabalho e foram socorridos com vários sintomas, como febre, dor de cabeça, náuseas, vômito, diarreia e até sangue nas fezes. Até o final da tarde de ontem, 112 pacientes foram atendidos no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) – sendo 100 homens e 12 mulheres. Outros 30 funcionários deram entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Nestor Piva, conforme balanço parcial da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Nas duas unidades, a movimentação foi intensa durante todo o dia de ontem. A todo instante, dezenas de operários chegavam ao local de ônibus, em carros ou em topics e vans das próprias empresas. A chegada constante de pacientes com os mesmo sintomas surpreendeu as equipes de plantão, que priorizaram o atendimento deles em um esquema especial. "Eles chegaram com os mesmos sintomas e iniciamos o tratamento com soroterapia, medicamento para dor e, alguns casos, com antibióticos. Todos os sintomas são de intoxicação alimentar. Não sabemos ainda o que está causando isso ou qual o tipo de bactéria. Isso foi uma epidemia", definiu a diretora técnica do Huse, Lycia Diniz.

Os pacientes relataram que almoçaram normalmente no fim da manhã de ontem e que foram servidas quentinhas com carne, arroz, feijão e macarrão. Muitos deles disseram não ter percebido nada de estranho na comida. Outros admitem que até perceberam, mas continuaram a comer. "Quando abri a minha quentinha não percebi nada de anormal, só depois que fui comendo vi que a carne estava amarelada e que não é sua cor normal. Com fome, comi assim mesmo. Durante a madrugada comecei a suar frio e a passar mal. Logo pela manhã fui para o Huse e agora já me sinto outra pessoa", relatou o ajudante de pedreiro Wesley Bezerra, 29.

Os primeiros operários começaram a chegar aos hospitais por volta das 21h de segunda, mas a maior parte deles procurou atendimento durante a manhã, pois passaram mal durante a madrugada e tomaram chás e medicamentos para aliviar os sintomas. E outros chegaram até a ir trabalhar na manhã de ontem, mas passaram mal nos próprios canteiros, com fortes dores e até desmaios, sendo socorridos pelas construtoras.
O Huse ativou a sua "Área de Catástrofe", setor voltado para atender pacientes de epidemias ou grandes ocorrências, que foi construída na última reforma do hospital – e até ontem, nunca tinha sido usada. "Com essa área de catástrofe pronta, atendemos com agilidade esses tipos de casos com múltiplas vítimas. Iniciamos o atendimento a esses pacientes às 8h30 e, no início da tarde, conseguimos estabilizar mais de 80 pacientes com alta médica. Em menos de quatro horas a situação já estava restabelecida", assegurou Lycia.

A causa do surto ainda não foi claramente definida pelas primeiras análises médicas. A previsão é de que exames médicos sejam requisitados pelas vigilâncias Sanitária e Epidemiológica para definir o que causou tais sintomas e se houve mesmo intoxicação alimentar. Todos os pacientes receberam atestado médico.

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