Família reafirma que David não estava armado

Durante o velório da manhã de ontem os familiares do estudante David Felipe voltaram a contestar a versão do comando da Polícia Militar, segundo o qual ele estava acompanhado de um adolescente que estaria armado e tentou atirar contra os policiais da Radiopatrulha, ao não obedecer a uma ordem de parada. O avô do jovem, Valter Francisco, disse que David chegou a pular da moto durante a abordagem dos policiais militares, quando a motoneta dos adolescentes passou pela viatura da Radiopatrulha.
"O carro encostou na moto e o meu neto pulou, botando (sic) os braços pra cima, pra eles não atirarem. E esse policial não respeitou. Mesmo vendo o menino com as mãos pra cima, ele [o soldado] desceu da viatura e atirou na testa do menino. Isso não se faz. Se ele quisesse abordar, abordava, mas não matar à queima roupa. A gente paga esse policial despreparado pra ele fazer uma coisa dessas com uma criança!", acusou Valter.  

O aposentado ainda reafirmou que os policiais da equipe da RP teriam tentado colocar uma arma ao lado do corpo para simular a existência de um confronto entre a vítima e os PMs, mas foram impedidos pelos parentes e amigos do estudante. "Não tinha arma nenhuma. Essa arma foi trazida por um policial que vinha de trás e ia jogar a arma. O povo viu, foi em cima e falou: ‘não vai jogar arma nenhuma aqui, porque o costume de vocês é esse’. Eles são capazes de jogar até droga pra tentar incriminar a criança", reafirma o avô.

O adolescente "Leozinho", que acompanhava David naquela tarde, também se manifestou ontem, em uma rápida e tensa entrevista à Ilha FM. Ele rebateu a afirmação da PM de que seria foragido do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam) e ligado a traficantes de drogas do Parque dos Faróis. "Dotô (sic), eu não sou fugitivo não. Vou me apresentar com advogado e esses policiais vão quebrar a cara, porque o que eles fez (sic) foi errado. Essa parte do revolver, foi eles que colocaram. Não teve nem isso. Nem eu nem ele tava armado (sic). Nunca tive envolvimento com drogas. Eu não sou fugitivo não. Tudo que eles tão falando ai é mentira (sic). Manda a policia investigar direito", disparou.
"Leozinho" também disse que não parou a moto ao ser abordado pela polícia por medo de ser morto. "Ia parar pra mim morrer é?. Se ele mandou parar e já foi atirando no menino. Eu ia parar pra morrer também. Quando a gente passou por ele ai ele deu o tiro". O adolescente admitiu ainda que já esteve detido por três meses no Cenam, por acusação de assalto, mas, nervoso, desligou o telefone ao ser questionado sobre o assalto. "Olha, eu vou me apresentar com o advogado. Bom dia!", cortou, ríspido. (Gabriel Damásio)

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