Kátia Azevedo
Os servidores da Coordenadoria Geral de Perícias (Cogerp) paralisaram ontem as suas atividades nas unidades dos Institutos de Identificação, de Criminalística, de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF) e Médico-Legal (IML). O movimento durou 24 horas e suspendeu os serviços de coleta, necropsia e liberação de corpos, exames de corpo delito, retirada da primeira e da segunda via da Carteira de Identidade e coleta de provas na cena de crimes. A suspensão das atividades surpreendeu muitas pessoas que procuraram atendimento no Instituto de Identificação, localizado na avenida Adélia Franco, que amanheceu fechado.
Além dos peritos, os policiais civis de Sergipe estão cobrando do governo uma resposta sobre as reivindicações referentes à Lei Orgânica, os pagamentos atrasados de reajustes lineares de 2008 a 2011 e de 2013, o reenquadramento de 15 profissionais e incorporação da gratificação da categoria. Os agentes e escrivães de polícia também participaram do movimento e só atuaram nos casos de emergência e flagrantes. À noite, no auditório da Acadepol, os servidores da Cogerp e policiais civis fizeram assembleia geral para definir novos encaminhamentos de mobilizações.
Ainda pela manhã, as categorias realizaram uma mobilização em frente à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), no bairro São José (zona central). Na semana passada, os profissionais se reuniram com o secretário da Seplag, João Augusto Gama, que solicitou um prazo até ontem para apresentar uma proposta durante a reunião, mas esta acabou não acontecendo. A situação gerou insatisfação entre os servidores, que fizeram uma carreata ao Palácio de Veraneio para cobrar uma posição do governador.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol), Antônio Moraes, criticou a falta de planejamento do Estado para atender as demandas dos trabalhadores da segurança pública. "As pautas foram encaminhadas para o governo há dois anos e ainda não houve contraproposta. Estamos a poucas semanas do final do prazo para o Governo negociar, tendo em vista que em ano eleitoral o prazo é até 8 de abril", destacou.
Seplag – De acordo com informações divulgadas pela assessoria de comunicação da Seplag, foi agendada uma reunião para amanhã com os peritos e policiais, mas, como eles compareceram à sede da secretaria para uma reunião na data de ontem, 19, foi oferecida uma reunião com a secretária adjunta, Lucivanda Rodrigues.
Sobre a reunião que estava prevista para ontem e não aconteceu, a assessoria informou que o secretário Gama estava no Palácio de Veraneio com o governador Jackson Barreto, na solenidade de assinatura do concurso para perito criminal da própria Polícia Civil, mas que, ainda assim, a secretaria esperou até o último instante por uma resposta das categorias para serem atendidas pela secretária-adjunta às 11h.
Militares – Durante à tarde, cerca de 500 bombeiros e policiais militares ligados às associações de classe fizeram uma assembleia na Praça da Bandeira, bairro Cirurgia, e depois caminharam em marcha pela avenida Barão de Maruim, até à Praça Fausto Cardoso. Com coletes vermelhos, os militares protestaram cobrando do governo a abertura de negociações com apresentação de propostas que contemplem as reivindicações da categoria.
Segundo o sargento Edgard Menezes, da Associação dos Militares de Sergipe (Amese), está marcada para hoje, às 10h, uma reunião dos representantes das associações com o secretário João Gama, na sede da Seplag. Serão pedidas as reposições salariais dos últimos cinco anos e o fim dos atrasos nas promoções de patente, que, em alguns casos, chegam a 19 anos. Os militares decidiram se concentrar em frente à repartição e fazer uma assembleia ao fim da reunião com o secretário. (com Gabriel Damásio)


