Cândida Oliveira
Mais um trabalhador da construção civil sofre acidente enquanto trabalha. Marcos Santos, 18 anos, caiu ontem, 19, do 3º andar de um prédio em construção no campus da Universidade Tiradentes, localizado no bairro Farolândia, em Aracaju.
O rapaz foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) que prestou os primeiros socorros ainda no canteiro de obras e encaminhou-o ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A assessoria de comunicação do Hospital informou que o quadro do rapaz é estável.
De acordo com a assessoria de comunicação da Universidade Tiradentes, o profissional da empresa terceirizada Megaservi utilizava todos os equipamentos de proteção necessários, inclusive o cinto de segurança para trabalhos em altura.
A assessoria da Unit informou também que, apesar de se tratar de um serviço terceirizado, a universidade acompanha o profissional e dá todo o suporte necessário para sua recuperação, bem como investiga os motivos do acidente.
Acidentes – O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sintracon), Raimundo Luiz Reis, relatou que os acidentes têm preocupado a direção da instituição. "Em 2013 fechamos com cinco trabalhadores mortos, sendo um em Poço Verde e quatro em Aracaju. Nos primeiros 15 dias de 2014 houve registro de morte de um trabalhador e mais de cem trabalhadores tiveram que ser levados ao hospital por conta de uma infecção, possivelmente adquirida por meio de alimentação inadequada fornecida pelas construtoras. A situação não é das melhores na construção civil", observou Raimundo.
SRTE – Na próxima quarta-feira, 26, às 9h, começam na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/SE), as negociações assistidas entre representantes sindicais de empregados e empregadores da construção civil, para a celebração da Convenção Coletiva de Trabalho 2014/2015.
A mediação do Ministério do Trabalho e Emprego foi solicitada formalmente tanto pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, como pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), pois apesar das negociações diretas nas reuniões já realizadas pelas lideranças sindicais das duas categorias, ainda permanecem pendentes pontos da pauta de reivindicações dos trabalhadores, a exemplo do piso salarial e do valor da cesta de alimentos.
De acordo com o presidente Raimundo Luiz, na primeira rodada de negociação os trabalhadores fizeram a proposta de reajuste de 12,5%, como não houve avanço na reunião realizada com a classe patronal, os operários baixaram o reajuste para 9%. "Mesmo tendo diminuído o percentual, os empresários estão irredutíveis", contou. Os patrões oferecem apenas 6,78%, porém em 2013 o reajuste foi de 9%. A data base de negociação salarial dos trabalhadores da construção civil é o mês de março.
Como não existe um acordo, a solução foi apelar para a SRTE. "Pedimos a intervenção da Superintendência, pois só assim fecharemos um acordo com a classe patronal", pontuou o sindicalista.
Sergipe conta com aproximadamente 20 mil trabalhadores da construção civil. Atualmente, o salário do profissional corresponde a R$ 1.030. Segundo o presidente do Sintracon, o valor do salário sergipano está defasado e é menor do que na Bahia e em Alagoas, mesmo a atividade imobiliária sendo semelhante aos desses estados. "Além disso, o trabalhador sergipano tem o menor salário do Norte e Nordeste", denunciou.
Na pauta de reivindicações há ainda adicional de insalubridade, 6% de triênio, auxílio alimentação, cesta básica, vale transporte e seguro de vida. "Segundo o Sinduscon, esses itens só serão negociados depois que fecharmos o reajuste salarial", expos Raimundo. A cesta básica atual do setor é de R$ 70,00. Caso o trabalhador falte o valor cai para R$ 60,00.
A assessora de comunicação do Sinduscon, Paula Belém, informou que o presidente da entidade, Tarcísio Teixeira, está em viagem e só se pronunciará após a reunião com a Superintendência.


