Edivan Amorim, como se sabe, é ousado homem de negócios. Já fez manobras empresariais incríveis, que lhe valeram sucesso, fama, e também sérias atribulações bem conhecidas aqui em Sergipe, e alhures, conseguiu superá-las, e hoje exibe pose de magnata sem patrimônio declarado, e chefe político sem ideias novas na cabeça a não ser aquelas relacionadas a cifrões. Tem milhares de bois engordando em terras mineiras, e negócios outros, incluindo a rede de emissoras que pertenceu ao ex-sogro, e vítima, João Alves Filho. A rede poderosa de rádios ampliada por Edivan é agora fartamente abastecida com recursos de um vistoso contrato com a Assembleia Legislativa.
Edivan é hábil, maneiroso, quando se faz preciso, sabe ser cativante, capaz de oferecer o paraíso a quem se juntar aos seus atrevidos projetos. Alguns pagam o preço dessa saga aventureira, como parece ser o caso do até, antes da eleição, bem sucedido empresário Laurinho Menezes, suplente na chapa do senador Amorim, entusiasmado tanto, que chegou a dissipar recursos essenciais à sobrevivência das suas empresas.
Todavia, não há somente parcerias assim mal sucedidas. No caso da doutora Angélica, a sociedade política tem sido proveitosa, fantasticamente compensadora. Edivan, o impetuoso, manipula a Mesa da Assembleia sempre em direção aos seus interesses. A obsessão que domina Edivan é estender seus tentáculos mais longe, e através de um golpe eleitoral instalar no governo do estado seu irmão Eduardo, para, sendo governador, adotar o mesmo comportamento seguido obedientemente pela presidente da Assembleia, já indicada para o Tribunal de Contas, onde vai continuar prestando os mesmos serviços ao seu voluntarioso chefe.
O engavetamento há seis meses, do projeto de empréstimo de 200 milhões de reais é uma firula escandalosa, que faz parte do processo de desmoralização mafiosa das instituições, comandado por Edivan, com a concordância plena do senador Eduardo, e a deprimente conivência de quem preside o Legislativo, transformando-o num palco para o teatrinho onde o ego agigantado do homem de negócios, é protagonista único.
O Legislativo se apequena até a submissão pela vontade autoritária de uma presidente que troca o interesse público pela mesquinharia da politicagem rasteira, e assim, avilta a sua presidência, avilta o seu mandato, avilta a obra civilizatória que sucessivas gerações de sergipanos dignos e responsáveis dedicaram-se a construir.
Para impedir que o servilismo oportunista da presidente da Assembleia resulte na desmoralização do Legislativo, onde ocorre o engavetamento da razão, e o desrespeito aos valores da democracia, houve a decisão histórica, a lição de cidadania, oferecida pelo desembargador Ricardo Múcio. A liminar atende pedido formulado pelo Procurador Geral do Estado, Márcio Leite Rezende, e determina que a presidente do Legislativo retire o projeto da gaveta onde o enfiou, e mande imediatamente que dele se faça a leitura, permitindo que os deputados o apreciem, votem, e decidam sobre a autorização legislativa solicitada pelo governo para que o estado de Sergipe possa contratar empréstimo externo de 100 milhões de dólares a serem aplicados na rede pública de saúde, inclusive, na construção do Hospital do Câncer.
Como perdeu a maioria que tinha na Assembleia, o homem de negócios quer impedir a votação, e isso acontece através de um expediente vergonhosamente espúrio.
Tal comportamento maroto poderia acontecer em qualquer valhacouto, em qualquer covil de rufiões, menos num Parlamento, que, antes de ser invadido pelo homem de negócios, os sergipanos orgulhosamente denominavam Casa do Povo.


