Milton Alves Júnior
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O sábado de aleluia para os comerciantes de pescados no Mercado Albano Franco foi de pouco movimento de consumidores e vasto prejuízo. Com os preços estabilizados, a expectativa por parte dos vendedores era que centenas de sergipanos pudessem se deslocar até o espaço a fim de adquirir os produtos tradicionalmente consumidos neste período do ano. Sem alternativa, por volta das 10h30 muitos feirantes começaram a recolher os alimentos e fecharam as respectivas barracas. De acordo com a vendedora Maria Luci dos Santos, este ano foi ruim para os comerciantes em Sergipe.
Para ela, os valores culturais não são mais respeitados se comparado às décadas anteriores e o preço repassado pelos pescadores tem contribuído para que o valor final acabe ‘assustando’ os consumidores. "As carnes ficam com preços melhores e os peixes com um custo mais caro. Por isso que muita gente nem está mais ligando para a tradição e acaba dando nisso. Era pra este mercado está cheio de gente, mas infelizmente não é essa a nossa realidade de hoje", disse. O preço do camarão pistola não era encontrado por menos de R$ 32, o atum era comercializado por R$ 25 o quilo, e o bacalhau custava em média R$ 30.
Compartilhando com as declarações de Luci, o vendedor de camarão Isaac Filho, que trabalha há dez anos no Mercado Albano Franco disse nunca ter presenciado um sábado de aleluia tão improdutivo financeiramente para aqueles que trabalham com o comércio de pescados. Reduzir os preços não seria uma boa alternativa, segundo o comerciante. "Não adianta porque compramos mais caro e vamos vender pelo mesmo preço? Desse jeito estamos pagando pra trabalhar. Por isso que muita gente já foi embora e eu não reprovo essa alternativa", lamentou. Assim como nos pescados, os preços dos ingredientes utilizados no preparo dos mariscos também foram ‘congelados’ no mercado central.
Surpreso com a situação, o empresário Denis Lucca disse entender a situação dos vendedores, mas que reprova a atitude de alguns comerciantes em deixar o local e voltar a armazenar os alimentos. "Sou dono de uma loja de roupas e sei que é preciso conversar. Tem dias que não conseguimos vender nada, mas rejeitar uma pechincha é perder futuros clientes. Fiquei impressionado com a quantidade de barracas vazias e os preços que não caem de forma alguma. Desse jeito era melhor comprar nos supermercados mesmo". O comércio no local foi encerrado às 13h de ontem e reiniciado às 6h deste domingo. Em virtude do feriado de Tiradentes, nesta segunda-feira, 21, o mercado não será aberto.


