Gabriel Damásio
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A enfermeira Maria da Conceição Cruz, 52 anos, foi gravemente ferida em um acidente ocorrido às 6h55 de ontem na esquina das avenidas João Ribeiro e Simeão Sobral, no bairro Santo Antônio (zona norte de Aracaju). Ela dirigia uma motoneta Bull e estava a caminho do Hospital Santa Isabel, onde trabalha, quando foi atropelada por um ônibus da Viação Modelo que fazia a linha Fernando Collor/DIA. A moto ficou embaixo do ônibus e presa pelos pneus, mas caiu por cima da perna esquerda da vítima, que acabou sendo esmagada.
O sofrimento de Conceição foi agravado pela demora na chegada do socorro: foram 40 minutos de agonia até a chegada dos primeiros atendentes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Neste tempo, ela foi amparada por pessoas que passavam pelo local do acidente, próximo ao Hospital São José. Alguns funcionários do hospital, incluindo um psiquiatra que estava de plantão, prestaram os primeiros socorros, mas não puderam retirá-la do ônibus, pois a ocorrência exigia a presença de equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Conceição estava consciente em todo o tempo e gritava de dor, chegando a chorar em alguns momentos.
Parentes da enfermeira chegaram ao local e ficaram abalados e bastante revoltados com a demora na chegada do socorro, bem como as dezenas de curiosos que cercaram o ônibus. "Oxente! Cadê ele (Samu), que não aparece aí? Isso não tá certo. Era pra ele tá aqui (sic) amparando a minha mãe! Minha mãe está morrendo aí, embaixo do ônibus!", esbravejou um dos filhos de Conceição. Outras testemunhas fizeram várias ligações para o Samu, mas simplesmente não conseguiram nenhum contato.
O socorro só chegou às 7h35, com a vinda de duas motolâncias e uma Unidade de Suporte Básico. Uma guarnição do Corpo de Bombeiros chegou quase ao mesmo tempo. As equipes conseguiram retirar Conceição do ônibus, mas ela acabou perdendo parte da perna esmagada, que não teve como ser recuperada. Levada ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), a enfermeira foi estabilizada e não corre risco de morrer, mas teve que sofrer uma cirurgia de amputação da perna. Ela permanecia internada até o fechamento desta edição.
Um dos socorristas, Marco Aurélio Tavares, disse que ele estava voltando de um plantão prestado na Barra dos Coqueiros quando viu a movimentação e ligou para os colegas que estavam de serviço, comunicando da ocorrência. Segundo ele, o sistema telefônico de chamadas do serviço estava em pane. "Desde cedo o Samu estava sem telefone. Teve uma queda de energia lá na base e os telefones não estavam funcionando. Através de um colega, de quem eu sabia o número pessoal, e liguei pra ele pedindo pra agilizar o socorro. Assim não temos condições de trabalhar, mas a população não entende o que a gente passa", justificou ele. A Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) confirmou a queda de energia na base, mas negou a demora no atendimento.
Quem teve culpa? – A dinâmica do acidente ainda será apurada pela polícia, mas o cobrador do ônibus da Modelo, de prenome Djenal, atribuiu o acidente à falta de atenção da própria enfermeira. Segundo ele, o ônibus estava na Simeão Sobral e fez a curva para entrar na João Ribeiro, quando atingiu a motoneta de Conceição pela lateral. "A gente entrou bem devagar e aberto, quando ela colou na lateral. Se estivéssemos um pouco mais rápido, ela tinha ido a óbito. Acredito que foi falta de atenção dela", disse o cobrador. Outras testemunhas contestam, dizendo que o ônibus foi o culpado pelo acidente.
O motorista do coletivo não foi encontrado no local. Segundo Djenal, o colega ficou em estado de choque, ficou um tempo sem sair do banco e depois se retirou do local para tentar se recuperar. Supervisores da empresa estiveram no local do acidente e providenciou um macaco hidráulico para erguer o ônibus e retirar a motoneta, o que foi feito pelos Bombeiros. Eles não quiseram falar com os jornalistas. O trânsito foi interditado durante toda a prestação da ocorrência e teve que ser desviado por agentes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT).


