Mílton Alves Júnior
Por falta de segurança, a Superintendência Regional do Trabalho (SRT) determinou que o setor de descarregamento de combustíveis da BR Distribuidora no Estado de Sergipe fosse interditado na manhã de ontem por tempo indeterminado. Com a medida paliativa alguns postos de combustíveis na Grande Aracaju já não registravam mais vasta quantidade dos produtos e filas de até 40 carros se formavam nos principais polos de comercialização. No centro da capital, entre a avenida Barão de Maruim e rua Santa Luzia, às 14h um posto credenciado pela Petrobras trabalhava já com o nível dos produtos no reservatório. Nas últimas 48h a procura pelo produto apresentou um aumento de até 30% se comparado aos demais dias da semana.
De acordo com o frentista Luís Gustavo, muitos consumidores acreditavam que a fila era em virtude de uma promoção instantânea e decidiam enfrentar a demora pelo atendimento. Sem ter conhecimento de quando o serviço de reabastecimento deve ser promovido pela BR Distribuidora, o trabalhador informou que a perspectiva é que até a noite de hoje os reservatórios já estejam vazios. "Em alguns postos não tem mais gasolina comum, a aditivada ou o álcool. Isso tem contribuído para que mais pessoas sintam-se na necessidade de ficar na fila e abastecer além do que precisa. Se continuar esse movimento assim eu tenho certeza que em poucas horas a venda de gasolina acaba", declarou.
Na tarde da última quinta-feira, 29, a sede da BR Distribuidora que fica instalada no município de Laranjeiras já registrava pouco movimento de funcionários. Os caminhões que chegavam para abastecer os tanques não estavam sendo permitidos para realizar o procedimento e essa inviabilização de serviço também tem contribuído para que gradativamente o problema se alastre para o interior do estado. Diante da situação, a direção geral da distribuidora emitiu uma nota oficial afirmando que o abastecimento do mercado local não vai sofrer alterações conforme suposto pelos empresários e frentistas. Apesar de a base Sergipe permanecer interditada, as unidades dos estados da Bahia e Alagoas devem iniciar o processo de distribuição de combustíveis até que a situação seja regularizada.
Pela STR foi informado que há alguns meses as normas de segurança exigidas legalmente, como a utilização de equipamentos de proteção individual e coletivo para quem trabalha em altura e os funcionários expostos a inalação de vapores de gasolina e álcool, não estavam sendo devidamente respeitadas e essa atitude contribui para o aumento no risco de acidentes e não imuniza os profissionais de quaisquer acidentes grave de trabalho. "Nem estava sabendo dessa decisão judicial. Como o frentista me chamou a atenção para esse desabastecimento, decidi comprar mais gasolina para o meu carro porque sabe lá quando isso vai acabar. Até pensei em desistir de abastecer quando vi a fila formada", declarou o técnico de informática Rodrigo Nascimento.
Pelo Sindicato dos Postos de Combustíveis de Sergipe foi informado que muitos empresários já contabilizam prejuízos por não ter condições logísticas em realizar o transporte dos produtos entre Alagoas e/ou Bahia para Aracaju. Ainda de acordo com a nota da BR Distribuidora, medidas emergenciais já estão sendo articuladas para que o caso não se agrave na menor unidade federativa do país.


