Acusado de mortes em Poço Verde volta a ser preso

O ex-presidiário José Augusto Aurelino Batista, 41 anos, apontado pela Polícia Civil como líder de um grupo de extermínio e autor de cerca de 13 assassinatos ocorridos em 2012 na cidade de Poço Verde (Centro-Sul), foi novamente preso por determinação da Justiça. Sua detenção aconteceu nesta segunda-feira, dentro do Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), no bairro Capucho (zona oeste de Aracaju), onde aguardava por um parente que iria passar por uma cirurgia. Agentes da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci) cumpriram um mandado de prisão preventiva expedido pela Comarca de Poço Verde.

Segundo o delegado Antônio Francisco de Oliveira, coordenador operacional da Copci, Augusto estava em liberdade desde o mês de dezembro do ano passado, mas foi acusado de ameaçar testemunhas dos processos aos quais responde. "Na última semana, o Ministério Público local, ao apurar um crime de cárcere privado que aconteceu na cidade, viu que o crime foi cometido por uma suposta vítima de José Augusto.

Essa pessoa estaria fugindo de José Augusto e, para escapar dele, ela invadiu uma casa, tomou pessoas como reféns e efetuou disparos de arma de fogo para o alto, no intuito de chamar a atenção da polícia e impedir que Augusto atentasse contra sua vida", explicou o delegado.

O policial se referiu ao cárcere privado ocorrido em 2 de maio, quando o baiano José Roberto Silva Santos, 26, manteve um homem de 41 anos como refém por 10 horas, até se entregar a policiais militares. Na ocasião, ele alegou que tentava se proteger de ameaças que vinha recebendo de integrantes deste grupo de extermínio. "Tem um grupo que manda na cidade e mata os traficantes, ex-presidiários. Eu já fui isso, não sou mais, mas querem me julgar pelo meu passado. Invadiram a casa da minha mulher, ameaçaram ela pra dar queixa de mim e encheram a casa dela de bala", disse o acusado, ao ser detido.

Antônio Francisco afirmou que o episódio foi uma prova de que Aurelino não só continuava ameaçando vítimas e testemunhas que deporiam contra ele na Justiça, mas também pretendia retomar uma sequencia programada de mortes. "Consta nos autos a existência de uma suposta lista negra, em que algumas pessoas seriam mortas pelo acusado. Há informações de que ele estaria recebendo dinheiro de comerciantes para ‘fazer uma limpeza’, isto é, matar as pessoas que cometem crimes na cidade, usurpando o papel do Estado", disse o delegado, frisando que os supostos contratantes ainda são investigados.

José Augusto foi preso pela primeira vez em abril de 2013, na cidade de Paragominas (PA), de onde deu entrevista a uma rádio de Aracaju 72 horas antes. Naqueles dias, ele já era apontado como líder de um grupo de extermínio que vinha atuando na cidade de Poço Verde e que tinha cometido pelo menos 13 assassinatos de jovens que já tinham passagem pela polícia. Em um dos casos, conforme a polícia, o acusado abordou uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e após ordenar que as equipes de saúde se retirassem do veículo, dominou um homem que estava sendo atendido, após ser baleado, e o executou em plena rodovia.

Inocente – Aurelino foi apresentado ontem de manhã na sede da SSP e fez questão de falar sobre as acusações aos jornalistas. Ele negou ser pistoleiro e disse que não cometeu nenhum dos 13 homicídios apontados pela polícia. "Eu sou inocente disso aí. Eu vivi fora de Poço Verde desde os meus 17 anos, trabalhei em São Paulo por muitos anos. Minha amizade na cidade é pouca. Não trabalho pra políticos, nem pra comerciantes, porque eu vivia do que ganhava trabalhando em supermercados lá em São Paulo. Não tinha necessidade de vir matar os outros", disse ele, afirmando que trabalha atualmente com carros de propaganda em Poço Verde.

José Augusto também negou ter perseguido José Roberto na noite de 2 de maio. "Eu não persegui ele em hora nenhuma, porque quem chegou na casa dele pra prendê-lo foi a polícia. Ele estava com um carro roubado na porta. Eu fui chamado pelo delegado da cidade, prestei depoimento, tem depoimentos ao delegado que dizem que eu nem cheguei perto da casa dele, nem de ninguém. Ele [Roberto] disse até que eu cheguei a passar três vezes na porta do Fórum no dia que ele prestou depoimento. Quero que a Justiça me ajude, vá lá no hospital João Alves e veja se eu não estava lá desde as 7h da manhã, acompanhando a minha filha que estava doente", defende-se.

O acusado também afirma que "se estivesse devendo alguma coisa, teria sumido no mundo" e disse que os 13 assassinatos podem ter sido cometidos por pessoas de cidades da Bahia que fazem divisa com Poço Verde. Aurelino admitiu que só matou uma única pessoa, em 1992, depois de uma discussão familiar. No entanto, segundo a polícia, ele já respondeu a processo pela morte de um soldado da Polícia Militar, morto em janeiro de 2003. Por este crime, Augusto foi condenado a mais de 20 anos de prisão e já cumpriu uma parte da pena.

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