Família de criança abandonada encontrada na Bahia

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Termina o mistério sobre a família do garoto autista que foi abandonado na sexta-feira em um dos shoppings de Aracaju. Ontem, a Polícia Civil revelou, em entrevista coletiva, que os pais do menino de 12 anos são da Bahia. De acordo com as delegadas Lara Schuster e Suirá Paim, do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), o pai da criança é advogado e reside em Salvador. Já a mãe, que é psicóloga, mora em Amargosa (BA) e por ter problemas psicológicos recebe tratamento. Policiais sergipanos ainda estão em Salvador concluindo as oitivas.

Terça-feira, dia 29, o Departamento recebeu do Juizado da Infância solicitação de instauração do procedimento de identificação e localização dos pais dessa criança. "Entramos em contato com a Associação de Pais de Autistas de Sergipe que nos auxiliou no contato com outras associações e de imediato conseguiu médicos para atender o garoto", relatou Lara.

A presidente da Associação de Amigos Autistas de Salvador fez contato com a polícia sergipana informando que há cerca de dois anos havia um menino que fazia acompanhamento por lá e que poderia ser o mesmo garoto. "Começamos a nos comunicar com ela por rede social e conseguimos os contatos dos pais da criança". Em um primeiro contato o pai da criança não deu certeza de se tratar do filho, pois com a separação da esposa tinha perdido contato com o garoto.

Delegada de Vulneráveis, Suirá Paim relatou que todas as pessoas que a polícia sergipana fez contato na Bahia foram unânimes em afirmar que a mãe era zelosa com a criança, que inclusive frequentava uma escola especial. "Nunca houve relatos de maus tratos anteriores. As pessoas que conheciam a família se mostraram surpresas com o fato".

Não deu queixa – A polícia já ouviu a mãe, que confirmou que trouxe o garoto para Aracaju para encontrar com o pai. E ao passear no shopping ele soltou a mão dela e assim se perderam. Ela retornou para Amargosa (BA) e retomou a vida dela, inclusive voltou a trabalhar normalmente. Quando questionada por que ela não procurou a criança ou deixou queixa de desaparecimento em alguma delegacia, ela respondeu que o pai por ser advogado é quem deveria tomar essas providências. "O pai achou estranho ela ter vindo para Aracaju, já que possui amigos no local. O que parece é que ela está desconexa, confusa", destacou a Suirá.
A delegada ressaltou que não pode afirmar se ela premeditou o abandono. "Ainda não sabemos se houve crime de abandono ou se ela tem capacidade de entender a conduta dela no momento em que o fato aconteceu".

A mãe vai passar por perícia psicológica. Se ela for incapaz, pode ser que perca a guarda da criança. O próximo passo da polícia é concluir o inquérito. "A criança continua em Aracaju sob responsabilidade do município. Existe um processo instaurado no Juizado da Infância e da Juventude e ele só será liberado com acompanhamento do Juizado", explicou Lara. Não existe previsão de liberação dessa criança, pois estão sendo realizados estudos sociais para identificar com quem esse garoto pode ficar.

O vice-presidente da Associação de Pais de Autistas de Sergipe (Apase), Rodrigo Ribeiro, disse que a criança passou por um momento de stress grande, mas que a instituição vai fazer seu acompanhamento disponibilizando uma equipe multidisciplinar durante o período que ele estiver em Aracaju. "O garoto será acompanhado enquanto o processo não for encerrado por profissionais das áreas de psicologia, psicopedagogia, pedagogia, terapia ocupacional e educador físico".

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