Micorrízicos Arbusculares (FMA). Este é o nome de um grupo Fungos que tem essencial papel no equilíbrio e sobrevivência das comunidades vegetais e que são fundamentais para a sustentabilidade de ecossistemas. A diversidade desses micro-organismos vem sendo o foco central de pesquisa que vem sendo realizada em diversas regiões do Brasil por duas doutorandas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em Sergipe, a pesquisas tem o apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Sergipe (Semarh).
Após percorrerem diversas Unidades de Conservação (UC) e ainda regiões distintas da Costa Continental e Insular do Brasil, as doutorandas dão continuidade aos trabalhos na Área de Proteção Ambiental Litoral Sul de Sergipe (APA Sul), localizada no município de Estância, e no Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco, área situada no município de Capela. As duas áreas de proteção da natureza são administradas pela Semarh.
A pesquisa que vem sendo realizada nas Unidades de Conservação de Mata Atlântica está sendo desenvolvida pela doutoranda, Camilla Maciel. Já nas regiões da Costa Continental e insular, vem sendo realizada pela doutoranda, Iolanda Ramalho da Silva. Mesmo em regiões diferenciadas, as pesquisadoras caminham juntas em uma única direção: estudar o comportamento (ecologia) desses fungos nesses ambientes. Razão pela qual torna a pesquisa do doutorado pioneira no Brasil.
"Dentre os benefícios promovidos por esses fungos aos seus hospedeiros, estão a melhor nutrição vegetal, proteção contra patógenos e estresses de natureza biótica e abiótica", explica Iolanda Ramalho sobre a importância de avançar na busca da diversidade dos micorrízicos.
"Esse grupo de fungos (FMA) é componente essencial em programas de recuperação de áreas degradadas. E até mesmo fora do Brasil o fungo é comercializado como Bioinsumo para plantas por microorganismos exercerem papel importante na sustentabilidade dos sistemas de cultivo, proporcionando às plantas melhor absorção de nutrientes, melhor crescimento e desenvolvimento, proteção conta patógenos, além de promover efeitos positivos sobre a agregação do solo", comentou a doutoranda Camilla Maciel.
Referente à sua pesquisa em áreas de conservação de Floresta Atlântica, a doutoranda Camila Maciel explicou ainda que embora reste menos de 100.000 km2 (cerca de 7%) dos remanescentes da cobertura vegetal original da Mata Atlântica, esse domínio é considerado um Hotspot de biodiversidade. Ou seja, rico em biodiversidade e com grave risco de degradação.
"As Unidades de Conservação se mostram uma chave para conservar o que ainda resta. A proteção e a preservação da Mata Atlântica são de extrema necessidade, além de urgentes, e dependem de ações e esforços integrados e coletivos, exigindo a mobilização geral da sociedade na defesa desse importante patrimônio natural. Quanto mais informações a respeito da biodiversidade da Floresta Atlântica e sobre as ameaças que ela vem enfrentando, melhor conduzidos poderão ser os programas de conservação", revelou Camilla sobre a importância desses fungos para a sustentabilidade do ecossistema.
A doutoranda Iolanda Ramalho da Silva, responsável pelo desenvolvimento da pesquisa em áreas de Restingas Continentais e Insulares do Brasil, esclarece que a pesquisa é desenvolvida em restingas herbáceas que abrigam comunidades vegetais pioneiras e adaptadas às condições estressantes desse tipo de ambiente.
Nessa região de litoral, estão coletando amostras de solo e de alguns indivíduos vegetais das famílias Poaceae e Fabaceae e da de Ipomoea pes-caprae- popularmente conhecida como Salsa da praia e uma das principais espécies presentes em restingas e dunas. Até o momento, amostragem veio sendo realizada em localidades geográficas distintas e representativas das regiões Sul (Florianópolis e Araranguá – SC), Sudeste (Rio de Janeiro e Ilha Grande – RJ) e Nordeste (Tibau do Sul – RN, Cabedelo e Mataraca – PB e Fernando de Noronha – PE) da costa continental e insular Brasileira.
As pesquisadoras também estão realizando a triagem das raízes coletadas, esse trabalho servirá para avaliações, a exemplo de extração de DNA e identificação de espécies micorrízicos. "Espera-se com essa pesquisa gerar informações sobre o papel ecológico desse grupo de fungos nos ambientes de restinga. Esses dados poderão ser utilizados futuramente para planejamento de ações de conservação e recuperação ambiental local", informou Iolanda Ramalho.
Além do Refúgio de Vida Silvestre Mata do Junco e da APA do Litoral Sul, os estudos em UC de Mata Atlântica já foram realizados também na APA Bonfim-Guaraíra (RN), Reserva Biológica Guaribas (PB); Reserva Biológica Guaribas (PB); APA Barra do Rio Mamanguape (PB); Reserva Biológica de Saltinho (PE); PA de Guadalupe (PE); Monumento Natural dos Cânions do Subaé (BA), Parque Estadual Mata da Pipa (RN), e no Parque Metropolitano do Pituaçu (BA).
A pesquisa de doutorado foi iniciada em 2013 e tem perspectiva de ser encerrada em 2017. Há três dias em Sergipe, as pesquisadoras encerraram etapa de estudos nesta sexta-feira, dia 8 de agosto.


